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Pra não dizer que não falei do Bruno

crítica, desabafo, filhos, morte, respeito, vergonha julho 14th, 2010

- Filha, vem cá. Tais vendo esse caso do goleiro?

- Tô.

- E o que estais entendendo disso?

- Que a moça teve um filho com ele pra ficar ganhando a pensão e ele não quis pagar e matou a moça.

- É isso mesmo. Mas o que a mamãe quer que tu entendas, é que o mais importante dessa história é que o fato dele ser famoso, de ser um ídolo do futebol, não faz dele uma boa pessoa. A moça o escolheu para ser pai do filho dela pelos motivos errados. E pagou muito caro por isso. As vezes uma pessoa sabe chutar, ou agarrar uma bola, sabe cantar, interpretar um texto, e por isso se torna alguém admirado por todos, sem que sequer se avalie o seu caráter. O que a mamãe quer te ensinar é que a fama de uma pessoa não corresponde ao seu valor real e uma pessoa deve ser admirada por ser boa, não apenas por estar numa posição de destaque.

Não vou escrever aqui que o tal do Bruno é um bandido (coisa que eu acho), porque ele ainda não vou julgado e condenado, por isso ainda é apenas um suspeito.

Também não vem ao caso ressaltar os requintes de crueldade do caso, nem o número de envolvidos. Não vou comentar nem sobre a relação homossexual (pois homem que tatua declaração de amor ao amigo nas costas é o que?). E nem vou me deter aos detalhes promíscuos da vida da vítima.

Pra mim, o que realmente importa neste caso é que simplesmente por agarrar bolas um sujeito sem escrúpulos foi alçado à posição de ídolo, atraindo a atenção de jovens, oportunistas ou não.

O que pode parecer natural, pois estamos no país do futebol.

Isso não é natural. Eu não acho. Natural seria admirar o sujeito que leva uma vida correta, se dedica aos estudos e ganha prêmios por um trabalho relevante.

É esse mundo que eu quero pra minha filha.

Projeto Ficha Limpa X Direito dos presos ao voto

crítica, desabafo, direitos, respeito maio 3rd, 2010

To sabendo que vou mexer em um vespeiro. Afinal, o protesto vem sempre como um rolo compressor quando se vai contra a opinião da maioria.

Também não to querendo me fazer de “grande coisa” por levantar uma questão que quebra a unanimidade (aquela que é burra, lembram?) acerca de um determinado assunto.

Posso estar escrevendo uma grande m&*d@, e pra isso existem os comentários. Exatamente pra me esfregar na cara essa ignorância que nasce com todos, e acompanha alguns até o caixão.

Mas… pensem comigo:

A legislação garante ao preso o direito do voto, desde que sua condenação não seja em caráter definitivo. Para garantir o direito destes pobres e injustiçados presos existem os grupos de defesa dos direitos humanos e blablabla.

O que é a democracia senão o direito que cada um tem de escolher seus representantes e por estes ter seus interesses defendidos?

Então, não parece bastante contraditório garantir o direito ao voto a uma determinada classe (marginal também é gente), mas privá-la de qualquer possibilidade de eleger aqueles que de fato a representam?

Se o Projeto Ficha Limpa proíbe políticos condenados em primeira instância (inocentes até que o processo transite em julgado) de concorrerem a cargos eletivos, se proíbe de se candidatarem ao poder público aqueles cuja conduta tenha sido declarada incompatível com o decoro parlamentar, independentemente da aplicação da sanção de perda de mandato, que opção sobra aos detentos para representá-los?

Que máscara democrática é essa que dá e tira ao mesmo tempo?

Como os coitadinhos dos presos poderão se organizar e ter suas reivindicações atendidas se não têm ao menos a opção de votar em seus semelhantes?

E antes que os xingamentos comecem, não, eu não sou a favor de que este bando de pilantra que nos aborda a cada eleição em busca do voto (que, infelizmente, para muitos não passa do ato de apertar em um botão) continue impune, cometendo atrocidades. Mas há de se ter coerência, sempre.

Se bandido não pode se candidatar, bandido também não pode votar.

O trote

crítica, direitos, respeito, vergonha março 1st, 2010

Alguém aí curte essa história de trote?

Acha legal ser humilhado, tendo que assumir as posições mais ridículas e submetendo-se ao capricho de veteranos mal educados?

Eu já comecei algumas faculdades : )

Então, naturalmente, fui submetida a vários trotes.

O primeiro de todos, quando comecei, pela primeira vez, o curso de jornalismo, foi tão traumático que me causou problemas em todos os outros.

Traumático?

Os caras só entraram na sala fazendo terrorismo, gritando, jogaram katchup e mostarda na nossa cabeça, sequestraram os cadernos e só devolveram mediante pagamento de uma taxa que não era grande coisa.

Se isso é traumático… vai ser fresca assim no inferno!

Traumáticas foram as imagens mostradas ontem pelo Fantástico.

Fígado de boi já é uma coisa nojenta. Podre. E em cima da sua cabeça, então. É pra morrer.

Tapa na cara, cuspida, ovada na cruz… gente, o que que é isso?

O mais interessante é que normalmente essas notícias de trotes que extrapolam o bom senso vêm de estudante de medicina.

Bom, espero que ensinem respeito, bons modos e dignidade na faculdade de medicina.

Putz! Pior que faculdade não existe pra ensinar esse tipo de coisa. Isso se aprende (em tese) em casa.

Então… fudeu!

Imagina que o cara que vai cuidar da sua saúde amanhã é o mesmo FDP que faz essas barbaridades hoje.

Na boa… prefiro cair na mão de uma benzedeira ou, quem sabe, eu mesma googlar e descobrir a melhor forma de tratar o meu problema.

Ta! Eu sei que é errado se automedicar, mas… tem tanta coisa errada nesse mundo.

Ah! Voltando aos trotes.

Quando comecei o curso de Turismo saí no braço com uma veterana que queria me pintar com canetinha e cismou que eu tinha que dançar na boquinha da garrafa e andar pelo centro de Floripa amarrada numa corda com um monte de infeliz que acha certo, normal, divertido, pagar mico só porque é calouro.

Não saí no braço de verdade. Foram só alguns empurrões. Mas porque ela desistiu : )

Aí resolvi voltar pra Tubarão e começar o curso de publicidade.

Mas dessa vez fui mais esperta. E os veteranos também.

Quando aquele monte de macaco se reuniu no corredor e começou a gritar anunciando que entrariam na sala para o trote, eu entrei em pânico.

Por sorte, um senhor mais velho (éramos uma gurizada) e bastante corpulento tentou me acalmar. Ele dizia:

- Calma menina. Eles só vão entrar, fazer umas brincadeirinhas e arrecadar um troco pra fazer uma festa de boas vindas.

- O que? O senhor tá doido? Eles vão jogar katchup e mostarda na nossa cabeça, riscar nosso rosto com canetinha, nos obrigar a fazer coisas ridículas na frente de todos e ainda nos extorquir.

- Ah é?! Espera aí que eu vou fazer papel de bobo depois de velho.

Foi nessa hora que o senhor se levantou, andou calmamente até a porta da sala, que até então permanecia fechada, abriu a porta, tirou a cinta, estalou a mesma na parede e gritou com uma voz bem grossa.

- Acabou a palhaçada! Quero ver quem é que vai entrar aqui. Vem, vem.

Huahuahuahuahuaha

A veteranada foi toda embora e acabou o trote.

Adorei!

Por sorte, quando comecei o curso de direito o pessoal era mais civilizado. A Universidade já proibia esse tipo de vandalismo dentro das dependências e fomos recepcionados com uma café da manhã. Como deve ser.

*******

Não pretendo começar mais nenhuma faculdade, mas já to me preocupando com o que será que a Ana vai enfrentar.

Não mexe com a minha filha!

crítica, desabafo, filhos, infantil, respeito fevereiro 18th, 2010

Então, Deus falou:

- Todos os erros das mães serão perdoados quando cometidos em defesa de seus filhos!

Falou?

Não sei. Mas deixa eu acreditar que sim, vai.

Quando a minha filha tinha um aninho eu comentei com alguém sobre um outro bebê, que, digamos, não tinhas os mesmo atributos estéticos…

Do alto da minha ignorância eu disse que aquela criança era “feinha”.

Por sorte, uma terceira pessoa estava por perto e me alertou para o fato de que nenhuma criança é “feinha”, nem nada parecido. As crianças são a maior manifestação de beleza e graça. Independente de seus traços físicos.

De todo o meu coração, obrigada, terceira pessoa.

Essa é uma verdade incontestável, que eu tive a sorte de aprender.

Crianças de 1,2,3,4 ou 5 anos não são feias, não são chatas.

Mas… lá pelos seus 9, 10 anos… tem umas que não dá pra suportar.

**********

Hoje foi o primeiro dia de aula da Ana e eu, claro, fui levá-la até a sala de aula. Carreguei a mochila, pesadíssima. Esperei que ela escolhesse o lugar que queria sentar, e fiquei alguns instantes ali do lado, estudando o ambiente.

Talvez eu não seja uma mãe normal. Mas eu me esforço bastante para parecer.

Infelizmente, algumas situações fogem ao meu controle.

Não tá entendendo? Vou explicar.

Assim que entramos na sala de aula eu percebi uma menina olhando pra Ana e cochichando com a coleguinha ao lado, de um jeito que não me agradou.

Ah! Não mexe com a minha filha.

A Ana nem percebeu, e eu cuidei para que ela continuasse sem perceber, claro.

Mas, como já não sou fã da tal guriazinha devido ao seu histórico de antipatia, fiquei olhando, enquanto ela, distraída, continuava sua conversa maquiavélica. (Tá bom, tá bom. Peguei pesado.)

A peste, ops!, a menina, de repente, virou na minha direção e, ao dar de cara comigo, escancarou um sorriso, que só filmando para vocês entenderem e perceberem que eu realmente não sou louca. Mas, sério, foi nojento. Ela arregaçou aquela boca e deu um sorriso tão falso que era absurdamente caricato.

Eu tive a nítida sensação que ela estava pensando:

- Ah! É só uma mãe. Todas as mães são idiotas, é só eu dar um sorriso e ela se derrete.

Coitada.

Errou o alvo.

Eu, sem nem perceber, juro, fiz uma cara tão feia pra guria que ela não entendeu nada. Ficou sem graça e virou pra frente.

Eu sou mesmo só uma mãe.

E não mexe com a minha filha!

Quem vai cansar primeiro?

Blog, Sem categoria, crítica, desabafo, direitos, respeito, vergonha dezembro 4th, 2009

Eu me considero uma pessoa muito bem resolvida.

: P Sério! Inclusive já ouvi várias amigas me dizerem isso. Não to me achando, não.

O que me torna alguém bem resolvido é minha capacidade de não levar desaforo pra casa e, quando levo, logo jogo no lixo. Não fico ruminando. De preferência, resolvo o problema na hora, com a própria pessoa. Mas, nem sempre isso é possível. Porque ser bem resolvido não significa ser mal educado.

Então, muitas vezes tenho que me contentar em fazer uma cara de poucos amigos (disso eu não abro mão e não distribuo sorriso pra quem não merece, nem a pau) e esperar chegar em casa para desabafar com marido, mãe, pai, irmã, tias… ou no blog.

Ah! O blog!

De quanto estresse esse espaço que eu tenho pra me expressar já ajudou a me livrar… Já cansei de lavar minha alma aqui, desabafando, xingando, escrevendo poucas e boas pra quem merece.

Eu nunca menti, caluniei, difamei… nem aqui, nem em outro lugar qualquer.

Da pra perceber, então, que o que eu faço no blog, nada mais é do que aquilo que eu faço na minha vida, no meu dia a dia. Esse é apenas um ambiente mais amplo, com maior repercussão e abrangência. Mas os meus critérios continuam sendo os mesmos. E seria muito bom se todos agissem assim.

Ta certo que tem blogueiro de tudo que é tipo e que os exageros precisam ser controlados e, se necessário, punidos. Mas dizer o que se pensa, baseado em verdade, não deveria ser crime nem aqui nem na… bom, talvez, na China, então.

Esses dias um blogueiro foi condenado a pagar indenização de R$ 16 mil por causa de um comentário feito em seu blog.

Até aí, eu já sabia. Mesmo não sendo das mais experientes, uma das primeiras coisas que eu aprendi é que você é responsável por todo conteúdo publicado em seu blog. Seja postado por você ou através de um comentário de terceiro.

E não cheguei a conhecer o post nem o comentário que geraram o processo que me referi acima. Então, nem vou comentar.

Mas, essa semana, a @claudiamello, que eu conheço pouco, mas já pude perceber que é do bem (todo mundo adoooora), foi condenada a pagar R$ 2.940 de indenização a um médico, por um post que fez em 2007, depois de uma dessas consultas em que nos sentimos um NADA.

Juro que li o post da Claudia e pensei que tinha sido escrito por mim.

Brincadeira. Nem tanto assim.

A blogueira carioca apenas relatou como foi a consulta. Explicou que o médico mal a examinou e ela permaneceu menos de 5 minutos na sala do DOUTOR, mesmo com febre e forte dor de garganta.

Claudia fez o que eu teria feito. Chegou em casa e extravasou no post. Exorcizou a humilhação, dando nome ao BOI, a fim de evitar que outras pessoas passassem pelo mesmo constrangimento.

O boi, ops, quero dizer, o médico se sentiu ofendido por sua própria maneira de trabalhar. Mas resolveu culpar a pobre da Claudia por isso.

Acho a atitude do médico razoável, ou, pelo menos, humana. Geralmente as pessoas buscam alguém que possam culpar por seus erros, o que é uma grande burrice, mas é natural.

O que é inadmissível é a justiça compactuar com o raciocínio mesquinho e retrógrado do médico.

E quando eu entitulo esse post com a frase “Quem vai cansar primeiro?” eu me refiro a nós que blogamos hoje (ou você que pode começar a blogar amanhã) e a justiça, que ainda não entendo como a coisa funciona e teima em aplicar seus princípios antiquados em um momento onde não existe mais espaço para meias palavras e atitudes veladas.

O bom dessa história é que a “blogosfera/twittosfera” já se uniu e conseguio levantar uma boa grana para ajudar a Claudia a pagar a indenização.

Força, Cláudia!

Por você, por mim e pela minha filha que, ao que tudo indica, será uma blogueira do futuro.

Porque o silêncio vale ouro

crítica, desabafo, direitos, filhos, livros, mulher, respeito, saúde, vergonha setembro 14th, 2009

Lembra da Maria Mariana?

Aquela menina que escreveu “Confissões de Adolescente” e conseguiu se fazer entender por toda uma geração.
Assisti à peça lá pelos meus 15 anos. Foi uma grande experiência por que, além de ser uma peça super interessante, foi a primeira que eu vi. A primeira que tive a oportunidade de assistir aqui na “cidade universitária” onde eu moro e onde o cinema sempre opta por passar cópias dubladas, mesmo de filmes adultos.
Lembro que o livro, além de virar peça de teatro, virou também uma série de TV que eu adorava.
De lá pra cá já passou muito tempo.
Eu mudei bastante e, pelo visto, ela também.
Quem tem o hábito de tuitar sabe perfeitamente quem é o Cardoso.
Autor do blog Contraditorium (que eu confesso que não conhecia), Cardoso é uma personalidade bastante polêmica.
Pode-se dizer de tudo sobre ele. Menos que não seja inteligente.
Eu confesso que nutro um sentimento bastante ambíguo pelo moço.
Ta bom… eu tenho medo dele!
A começar pelo avatar, que estampa a carinha nada simpático do Dr. House (que é tudo de bom, mas da medinho), já vi (li) o Cardoso dar nos dedos de muita gente.
Sempre com comentários muito ácidos, ele não perdoa.
Por que eu o sigo?
Por alguns fatores consideráveis neste cenário digital, mas, principalmente, porque ele é uma grande fonte de informação.
Não cheguei a comentar, mas o post “Alguém traz o Renoir de volta, por favor” surgiu de uma tuitada dele com o link da foto da modelo real.
Agora ele acabou de me presentear (pra não dizer “me irritar”) com o link de uma entrevista da tal da Maria Mariana.
Ah! Entendeu porque que eu to falando nele?!
Então vamos ao que realmente interessa.
A infeliz da Maria Mariana consegue irritar a gregos e troianos.
Irrita às mulheres que optam por não ter filhos, fazendo uso de um direito que lhes cabe e irrita às outras, que se dedicam à maternidade.
Eu engravidei com 22 anos.
Não era uma criança, mas ainda não vivia meu momento pleno, aquele que julgava ideal para ser mãe.
Não foi uma gravidez planejada.
E, mesmo correndo o risco de me arrepender, vou confessar : sou a favor do aborto.
Então porque eu não abortei?
Não foi porque é crime. Foi pelo simples fato de que, apesar de não estar preparada social nem financeiramente, psicologicamente eu já me sentia mãe.
Senti isso desde o primeiro instante que tomei consciência de que aquela coisinha crescia dentro de mim.
E olha que foi logo no começo.
Com duas semanas e meia de gravidez, fiz dois testes de farmácia e um de laboratório e minha vida mudou pra sempre.
A partir dali, nada tinha ou teria mais importância, mais valor, mais significado, do que a ligação que eu mantinha com aquele amontoado de células que se desenvolviam surpreendentemente.
Só to confessando esses detalhes para demonstrar o quanto a maternidade tem valor pra mim.
Tanto valor a ponto de atrasar minha vida profissional em alguns anos e, mesmo assim, me fazer feliz.
Tanto valor a ponto de ser mãe solteira e ser tão feliz que acabamos merecendo (eu e minha pimpolha) o Philippe de presente. Melhor namorado e melhor pai do mundo.
O que eu sei fazer de melhor na vida é ser mãe.
Me dedico a esta tarefa.
Eu erro. Claro.
Mas avalio os meus erros e me concentro em melhorar.
Constantemente analiso minha função de mãe busco atingir os melhores objetivos sempre com o foco no futuro da minha filha.
Passei toda minha gestação ansiando por um parto normal.
Normal mesmo!
Meu sonho, na época, era ter uma vó parteira, dessas que fazem o parto em casa com uma tesoura que passa de geração para geração.
Louca?
Pode ser.
Mas eu achava que isso reforçava a importância de ser mãe.
Louca mesmo.
Também acreditava que pra ser mãe tinha que amamentar.
Sonhava em amamentar minha filha até uns dois anos de idade.
Achava lindo. Ainda acho.
Quando eu ouvia alguma mãe contando que não tinha leite ou que o bebê não pegou o peito eu pensava, quietinha, “coitada, essa aí não nasceu pra ser mãe”.
Resumindo a história, eu paguei por toda a minha ignorância.
Minha filha nasceu 20 dias antes do prazo, numa cesariana feita às pressas em decorrência de pré eclâmpsia.
Quase morri e, pra piorar, o médico não pode esperar nem 15 minutos pra anestesiar fazer efeito e eu, por vias tortas, senti as piores dores do parto. Dor de navalha cortando a carne.
Mas, como a maternidade é um verdadeiro milagre e quase sempre que nasce um filho nasce também uma mãe, seja de parto normal ou cesariana, o chorinho da pequena diluiu a minha dor e a lembrança que ficou do momento, apesar dos riscos, é de amor.
Pra melhorar a brincadeira ou, se preferirem, pra diminuir meu carma e minha arrogância pré-maternal, meu leite só durou duas semanas.
Depois disso, o stresse gerado pela relação afetiva indefinida com o doador de cromossomos (é, porque pai é muito mais do isso e o pai da minha filha é o Philippe há muito tempo), que nem cagava, nem desocupava a moita, acabou com o meu leite.
Meu deus! Esses foram os dias mais difíceis de todo o processo.
A decisão de partir para a mamadeira me causou febre e uma dor profunda na alma.
Eu usei um spray que o médico indicou pra descer o leite. Tomei muita água. Tomei cerveja preta e tudo que ensinavam. Só não tomei urina porque não tava na moda dizer que fazia bem pra tudo. De certo, se fosse hoje, tomava.
Não teve jeito.
Com o peito todo rachado. Com febre. Sem leite. E com uma neném de duas semanas chorando de fome, tive que fazer uma madeira de leite em pó.
Que espécie de mãe eu fui, então?
Uma mãe de verdade, posso garantir.
Mãe que faz tudo que está ao seu alcance, mas as vezes não consegue.
Cara Maria Mariana, que pessoa bem afortunada você seria, se não fosse ignorante.
Que bom que você pôde largar a carreira pra se dedicar a criar 4 filhos.
Sabe que este também é o meu sonho?
Infelizmente, por enquanto, ainda não posso fazer isso.
Tive que me reciclar profissionalmente e encarar o mercado de trabalho pra poder, ao lado do meu parceiro (veja bem, “ao lado” não escrevi “atrás” nem “à sombra”) dar uma vida razoável para nossa única filha.
Mas, um dia, chegamos lá.
Que bom você pôde passar pela experiência de três partos normais, já que esse era o seu sonho.
Pena que a sua primeira filha não recebeu esta bênção e, sendo assim, segundo o seu próprio raciocínio, você deve ser menos mãe dela do que dos outros três.
Que bom, também, que você pôde amamentar. Eu não tive essa sorte. Não por preocupações estéticas, mesmo porque, amamentando ou não, acabaria aderindo ao silicone mais tarde e meus peitos estariam tão bem quanto estão.
E, se me permite um conselho, acho que seria uma boa você estudar a alternativa do silicone, já que vem amamentando há 9 anos seguidos. Não é pecado, boba.
E, pra concluir, eu concordo com você quanto ao fato de que homens e mulheres não são iguais.
Não gosto dessa história.
Mas, vou lhe contar um segredo: Por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher.
Em outros palavras, já faz tempo que somos nós que seguramos o leme.
Ah! Ia me esquecendo.
Depressão pós parto é uma enfermidade bastante complexa, que nada tem a ver com passar a gestação fazendo compras no shopping.
(Se o post estiver muito irônico, a culpa é do House)

Alguém traz o Renoir de volta, por favor

beleza, crítica, desabafo, dieta, divertido, estilo, moda, mulher, respeito, saúde, vergonha agosto 27th, 2009

Não sei vocês, mas eu quero ser feliz.

Não que eu seja infeliz. Em geral, minha vida tem transcorrido muito bem, obrigada.
Mas, em alguns momentos, sou tomada por uma sensação aterradora de tristeza.
Basta avistar um apetitoso quitute hipercalórico para que a sirene da depressão dispare e eu me divida entre o prazer de comer e o prazer de vestir.
Mas, porquê?
Eu me pergunto, por que, diabos, não dá pra ser feliz gorda?
Por causa dessa sociedade de merda que me obriga a almejar uma calça 38 como quem anseia por uma vaga no céu.
Ah! Como eram felizes as mulheres de Renoir!

O famoso pintor francês que viveu entre o final do século XIX e início do século XX, retratava suas divas em plenitude da forma.

Roliças, voluptuosas, carnudas, curvilíneas, consistentes, rechonchudas… mulheres reais.
Adoravelmente reais.
Invejavelmente reais.
Desincubidas da hercúlea tarefa de manter o peso abaixo de valores naturalmente humanos, as fofinhas de Renoir podiam despir-se tranquilamente.

Confiantes da sua real beleza, não conheciam o Photoshop e não identificavam por um número, ou nome, cada novo buraquinho que lhes surgia nas coxas.
Não suavam em academias e não desmaiavam de fome.
Não cometiam o sacrilégio de rejeitar um saboroso prato de comida, doce ou salgada, nem recitavam de cor a tabela calórica com todos os alimentos imagináveis incluídos.
E por falar em calorias… como são deliciosas!
Cristo! Eu não sei quem criou os dinossauros (outra hora explico isso), mas quem inventou as calorias, com certeza, foi o diabo.
O coisa ruim provavelmente jogou sobre as mulheres a maldição das calorias para vingar-se dos chifres.
Agora, compadecido com nosso sofrimento, começa a dar ares cansado nos permite uma leve esperança de que dias melhores virão.
A revista norte americana Glamour, especializada no universo feminino, experimentou recentemente a inédita reação de centenas de fãs que, ao se depararem com uma simples fotografia, manifestaram toda a sua admiração e, inclusive, gratidão à revista e ao objeto da foto.
O objeto em questão é, nada mais nada menos, que a modelo Lizzi Miller. E o motivo de todo o seu sucesso nas páginas da Glamour é, simplesmente, sua barriga.
Isso mesmo.
SUA barriga.
Não a barriga de um tratador de imagem mestre nos segredos do Photoshop.
A barriga de Liizi é normal. Como a minha. Como a de praticamente todos vocês.
E eu, como os leitores da revolucionária revista, há muito tempo não me sentia tão bem diante de uma imagem.

É quase um Renoir!

Rapidinha

crítica, estilo, livros, morte, mulher agosto 16th, 2009

Tentei ler “Veronika decide morrer” há alguns anos.

Não consegui chegar ao fim.
É bem verdade que não se deve falar sem conhecimento de causa mas, a julgar pela crítica que a revista Veja desta semana fez do filme que é uma adaptação do livro do bruxo, segundo a qual o mesmo foi fiel à obra de origem, sou levada a concluir que, assim como os livros de Paulo Coelho agradam àqueles que não gostam de ler, a versão filmada deve convencer a turma que não curte cinema.
Mas isso é só uma suposição.

Ser ou não ser?

crítica, desabafo, direitos, respeito, vergonha agosto 14th, 2009

Entrevista com a psicóloga Rozângela Alves Justino nas páginas amarelas da Veja desta semana.

Assunto beeem polêmico.
A psicóloga oferece terapia de cura para o homossexualismo.
Como assim, terapia de cura?
Segundo Rozângela, que, diga-se de passagem, é uma doida varrida, o homossexualismo é um transtorno para o qual existe cura.
Por essa razão, a psicóloga foi censurada publicamente pelo Conselho Federal de Psicologia.
Agora, se é que alguém anda interessado em saber o que eu penso sobre isso, minha opinião de ignorante no assunto é que falta um pouco de bom senso pra essa gente.
A moça, nem se fala, por que doido não tem bom senso mesmo.
Mas essa do Conselho Federal de Psicologia eu não entendi.
Ta certo que eu não sou homossexual.
Também não sou psicóloga.
E, pra piorar, não tenho nenhum amigo mais íntimo que seja gay e possa embasar minhas conclusões sobre o assunto.
Por outro lado, também não tenho nenhum preconceito.
Verdade.
Não gosto muito dessa viadagem de ficar dando gritinho e pulinho no meio da rua. Mas não gosto disso do mesmo jeito que não gosto de mulher muito fresca que tem chilique.
Então acho que não é preconceito.
Ou é preconceito em relação aos dois casos?
Bom… se você continua lendo, deve ser por que, seja por curiosidade, raiva ou falta do que fazer, está interessado na minha opinião.
Então, lá vai.
Eu acho que todo mundo tem direito de ser o que quiser.
Escrevi isso naquele post ali embaixo.
Reafirmo aqui.
Se o cara tá feliz sendo homossexual… ótimo. Deixa ele.
Se ele não ta feliz, mas quer ser homossexual… precisa da ajuda de um profissional pra se aceitar. Pra aceitar a sua verdadeira essência. Pra aceitar que é um pouco diferente daquilo que os pais acharam que ele seria, um pouco diferente dos outros colegas… mas, e daí.
Ele tem todo o direito de buscar sua satisfação onde quer que ele acredite que ela esteja.
Ninguém tem que julgar ninguém.
Ninguém tem que dizer o que ele deve ser.
É uma opção dele.
Tudo bem.
Agora se o cara é homossexual, mas não ta feliz, não é isso que ele quer, não por causa dos outros, mas por que ele mesmo deseja ter uma vida diferente… aí ele não tem direito de tentar mudar?
Eu acho (pelo que tenho observado nessa vida) que a homossexualidade é um assunto muuuuito complexo.
Tem o cara que desde pequenininho demonstra tendências pro negócio. Tem aquele que passa por um trauma, uma experiência ruim, e parti pro outro lado. Tem caso de falta de exemplo. Sei lá.
É muita coisa pra resumir em um único resultado.
Tem que aceitar e pronto.
Eu sou meio acomodada.
Não é uma doença. Nem enxergo como um defeito.
É uma característica minha.
Um pouco por conta do signo. Um pouco por causa de uma criação superprotetora. um pouco por causa do meu metabolismo. Da minha história de vida.
Não sei se nasci assim, ou me tornei com o tempo.
Também nunca liguei muito pra isso.
Mas agora resolvi mudar.
To me esforçando pra ser um pouco mais dinâmica.
Simplesmente por que não to mais satisfeita com essa minha condição.
Não tenho direito de tentar mudar?
Então, se eu tenho esse direito, acho que a polêmica toda em cima da tal terapia de cura do homossexualismo é mais um fruto dessa forçação de barra do politicamente correto.
E não precisa vir me dizer que a moça da entrevista só fala besteira.
Eu concordo.
Acho que ela deveria ser impedida de exercer a profissão por desequilíbrio mental.
Mas isso não muda o que eu penso sobre o assunto.

Defeito de fábrica

2º PlusUnisul, Blog, comunicação digital, crítica, respeito junho 23rd, 2009

Não vou criticar a palestra do tal do Tabet (Kibe Loco) ontem (e também não vou fazer nenhum link nesta postagem porque não está funcionando. SUMIU) no 2º PLUS do Curso de Comunicação Social da Unisul porque de tanto o marido repetir que eu vim de fábrica sem um acessório (HUMOR), eu já to até acreditando.
Então, vai que a culpa não é do cara. É minha.
Até dei risadas ontem.
Mas não gostei de algumas coisas.
Por exemplo: Não gostei dos outdoors da Preta Gil. Não gosto de piada com a aparência dos outros.
Não gostei dele avacalhar com a organização do evento, mesmo sendo de brincadeira. Quase levantei e saí nessa hora. Só não fiz isso porque não tava sozinha e como não seria acompanhada era capaz de resultar em separação. Então segurei a onda.
E, principalmente, não gostei de não receber nenhuma informação relevante sobre blogs.
Afinal, não fui lá pra ver a dança do quadrado. Mas vi.
Bom, no final das contas, to aqui falando do cara, o que acaba sendo bom pra ele.
Mas tudo bem. Tadinho. Ele precisa de divulgação.

Copiei a foto do blog Heresia Loira da Juliana Dacoregio,
que também escreveu sobre o assunto
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