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Amiga de infância

beleza, desabafo, dieta, mulher julho 16th, 2010

A amiga foi morar em outra cidade, um pouco longe, mas volta e meia retorna à cidade natal para visitar a família.

É nestes momentos que conseguimos nos encontrar e colocar a fofa em dia.

Adoro.

Conversa vai, conversa vem, falamos das fulanas e ciclanas da adolescência, por onde anda cada uma, que fim levou.

- Aquela tá bem gorda. Acho que é um pouco de falta de vergonha na cara.

- Ai não, amiga. Não diz isso. Porque eu, que vivo tentando perder os quilos que ganhei, é que sei da luta que é emagrecer. Não é fácil.

- Ha! Mas tu estais beeem mais magra do que a última vez que eu te vi.

- Que nada. Ainda não consegui me controlar.

- Tá, sim. Tá beeeem mais magra.

A amiga foi embora, e eu fiquei pensando… faz tempo que eu não consigo emagrecer.

Se ela acha que eu estou beeeem mais magra, e se eu emagreci, de fato, foi muuuuito pouco… isso quer dizer que da última vez que ela me viu se assustou em silêncio, porque me achou muuuuito gorda.

Deu. Não pensa, Maite. Não pensa.

P.S.: Amiga, caso você passe por aqui. Não precisa se explicar. Eu te amo. E to gorda mesmo. Mas to feliz. E tenho certeza que isso também te deixa feliz.

Quase saí do sério

desabafo, dieta, mulher, respeito dezembro 2nd, 2009

To adorando o novo emprego.

Trabalho super estimulante, enriquecedor. Colegas divertidos, inteligentes.

Show!

Chego cedo, sento na minha cadeira, ligo o computador, me preparo para colocar os fones e ouvir a reportagem… Colega da mesa de trás me chama:

- Ai, posso te fazer uma pergunta? (voz de lambisgóia) Que que eu faço pra engordar?

Como diria a @kakah, tomar no cú!

Mas me contive e respondi com o máximo de educação que consegui reunir:

- Come.

A infeliz, não contente em me fazer ferver a 100 graus, continua:

- Ai, menina, (a mesma voz de lambisgóia) não sei mais o que fazer. Estava usando 38, 36, mas o 36 ficava apertado. Agora o 36 já ta começando a ficar largo e eu to ficando desesperada.

Tenho certeza que 999% das mulheres sabem quais foram os palavrões que eu usei pra xingar a moça, mas fiz isso só em pensamento. A minha vontade era de escancarar, levantar da cadeira, colocar as mãos na cintura e dizer em alto e bom som:

- Olha aqui minha filha, se você é uma aberração que precisa de conselhos e ajuda pra engordar, problema seu. E depois, essa história de que o 36 ta ficando largo, dá bem pra ver que é mentira. Enfia um 38 aí que eu aposto que serve.

Agora volta a fita, porque eu não respondi nada disso. Fiquei com vontade, mas não fiz. Peguei meus fones, coloquei no ouvido, respirei fundo e fingi que estava sozinha na sala. Sozinha no mundo.

Pelamor! Sendo muito, mas muito boazinha e imaginando que a dita cuja não teve malícia quando me veio com essa, no mínimo ela também não teve nem um pingo de bom senso.

NUNCA se pergunta pra uma gorda o que ela fez pra engordar!

Thanks, Whitney

beleza, desabafo, dieta, estilo, moda, mulher, saúde setembro 4th, 2009

Já contei que sou viciada em América/Brasil Next Top Model?
Não, né. Nem deveria.
Mas, eu confesso.
Não perco um episódio.
Tem que ser uma coisa muito séria, compromisso inadiável, pra me tirar da frente da televisão na quinta-feira a noite.
Não acompanho nenhuma novela.
Adoro séries policiais, mas vejo apenas quando dá.
O único programa que interfere na minha agenda é a competição de modelos, sejam elas americanas ou brasileiras.
A versão brasileira, então, nem se fala.
Como eu não sou de perder muito tempo com a mesma mania, acredito que daqui a pouco essa obsessão passe.
Taí o CSI, pra provar isso.
Desde o episódio final de temporada dirigido pelo Tarantino que eu não consigo mais assistir.
Enjoou.
Quanto ao ANTM, não sei explicar o que que eu vejo de bom ali.
Não gosto da Tyra (apresentadora), não simpatizo com nenhum dos outros jurados, inclusive a Paulina Porizkova (modelo que substituiu a Twigg nessa temporada) é uma estúpida.
Cheguei a cogitar abandonar à série ao assistir aos jurados chamarem uma modelo de monstrenga durante uma sessão de eliminação.
Tá certo que a moça era uma monstrenga mesmo. Mas não se diz isso pra ninguém. Principalmente num programa de TV. E, mais principalmente ainda, num programa de beleza.
Mas passou uma semana e lá estava eu de novo. Obcecada.
Tá, Maite. Já provaste que não és tão inteligente quanto parece! E agora?
Agora que eu tô aqui pagando de tapada, consumidora compulsiva de reality show, porque ontem foi a final da 10ª temporada americana e, pela primeira vez, a vencedora foi uma modelo tamanho GG.
O que?
Isso mesmo.
Whitney Thompson se destacou desde o início por ter um rosto lindo e… formas avantajadas.
Não sei onde eu andava com a cabeça durante toda a temporada, por que a Whitney não era a minha favorita.
Até o último momento, não acreditei que ela pudesse ganhar.
Mas ganhou.
E, assim como Lizzi Miller, provou que dá pra ser bonita, muito bonita, sem parecer um palito.
Eu continuo ambicionando recuperar minhas formas da pré-adolescência, assim como tem gente que ambiciona um encontro com deus no dia do juízo final.
Sem chances!
Mas a vitória da moça GG num dos programas mais importantes do mundo sobre beleza me deixou a um passo de jogar a caixa de sibutramina no lixo e ser feliz.
Parabéns Whitney. E obrigada.

Alguém traz o Renoir de volta, por favor

beleza, crítica, desabafo, dieta, divertido, estilo, moda, mulher, respeito, saúde, vergonha agosto 27th, 2009

Não sei vocês, mas eu quero ser feliz.

Não que eu seja infeliz. Em geral, minha vida tem transcorrido muito bem, obrigada.
Mas, em alguns momentos, sou tomada por uma sensação aterradora de tristeza.
Basta avistar um apetitoso quitute hipercalórico para que a sirene da depressão dispare e eu me divida entre o prazer de comer e o prazer de vestir.
Mas, porquê?
Eu me pergunto, por que, diabos, não dá pra ser feliz gorda?
Por causa dessa sociedade de merda que me obriga a almejar uma calça 38 como quem anseia por uma vaga no céu.
Ah! Como eram felizes as mulheres de Renoir!

O famoso pintor francês que viveu entre o final do século XIX e início do século XX, retratava suas divas em plenitude da forma.

Roliças, voluptuosas, carnudas, curvilíneas, consistentes, rechonchudas… mulheres reais.
Adoravelmente reais.
Invejavelmente reais.
Desincubidas da hercúlea tarefa de manter o peso abaixo de valores naturalmente humanos, as fofinhas de Renoir podiam despir-se tranquilamente.

Confiantes da sua real beleza, não conheciam o Photoshop e não identificavam por um número, ou nome, cada novo buraquinho que lhes surgia nas coxas.
Não suavam em academias e não desmaiavam de fome.
Não cometiam o sacrilégio de rejeitar um saboroso prato de comida, doce ou salgada, nem recitavam de cor a tabela calórica com todos os alimentos imagináveis incluídos.
E por falar em calorias… como são deliciosas!
Cristo! Eu não sei quem criou os dinossauros (outra hora explico isso), mas quem inventou as calorias, com certeza, foi o diabo.
O coisa ruim provavelmente jogou sobre as mulheres a maldição das calorias para vingar-se dos chifres.
Agora, compadecido com nosso sofrimento, começa a dar ares cansado nos permite uma leve esperança de que dias melhores virão.
A revista norte americana Glamour, especializada no universo feminino, experimentou recentemente a inédita reação de centenas de fãs que, ao se depararem com uma simples fotografia, manifestaram toda a sua admiração e, inclusive, gratidão à revista e ao objeto da foto.
O objeto em questão é, nada mais nada menos, que a modelo Lizzi Miller. E o motivo de todo o seu sucesso nas páginas da Glamour é, simplesmente, sua barriga.
Isso mesmo.
SUA barriga.
Não a barriga de um tratador de imagem mestre nos segredos do Photoshop.
A barriga de Liizi é normal. Como a minha. Como a de praticamente todos vocês.
E eu, como os leitores da revolucionária revista, há muito tempo não me sentia tão bem diante de uma imagem.

É quase um Renoir!

Eu não vou perder pra soja!

dieta, saúde janeiro 2nd, 2009

Há alguns anos me embrenhei por este terreno inóspito da alimentação saudável e decidi aderir à soja.
Preparei com toda dedicação e carinho alguns temperos, nada muito exótico (já comentei que tenho paladar infantil?), apenas o básico da cozinha tradicional. Cebola, alho, tomate… essas coisas.
Por fim, a tal da Proteína de Soja Higrolisada, em pedaços médios.
O resultado?
Nem me lembro.
Faz muito tempo que adotei o método auto-protetor de deletar da memória grandes catástrofes protagonizadas por mim.
Passaram-se anos até que meu pobre organismo, já completamente intoxicado por uma dieta capaz de emrubescer Obelix, suplicasse, quase sem forças, por combustível saudável. No mínimo, adequado a uma expectativa de vida condizente com a realização de parte dos projetos que venho cultivando.
Marquei para hoje a transição.
Adeus ano velho, feliz ano novo.
Carrinho de supermercado em mãos… me deparo com uma velha conhecida. A tal PSH.
Resolvi lhe dar mais uma chance.
Talvez ela tenha mudado.
Enfim, eu mudei, já amadureci bastante (talvez meu paladar não seja mais tão infantil).
Mas achei por bem investir em algo menor, como experiência. Apostei em pedaços pequenos.
Voltei para casa feliz e, como quem sente a alma leve por ter perdoado um deslize de outro, me dediquei a temperar a soja.
P.Q.P.
Tem gente que não muda mesmo!
Tróço ruim.
Comi até o fim, consciente de que tudo na vida é uma questão de prioridades e, consequentemente, escolhas.
Ou você é feliz ou você é saudável.

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