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Pra não dizer que não falei do Bruno

crítica, desabafo, filhos, morte, respeito, vergonha julho 14th, 2010

- Filha, vem cá. Tais vendo esse caso do goleiro?

- Tô.

- E o que estais entendendo disso?

- Que a moça teve um filho com ele pra ficar ganhando a pensão e ele não quis pagar e matou a moça.

- É isso mesmo. Mas o que a mamãe quer que tu entendas, é que o mais importante dessa história é que o fato dele ser famoso, de ser um ídolo do futebol, não faz dele uma boa pessoa. A moça o escolheu para ser pai do filho dela pelos motivos errados. E pagou muito caro por isso. As vezes uma pessoa sabe chutar, ou agarrar uma bola, sabe cantar, interpretar um texto, e por isso se torna alguém admirado por todos, sem que sequer se avalie o seu caráter. O que a mamãe quer te ensinar é que a fama de uma pessoa não corresponde ao seu valor real e uma pessoa deve ser admirada por ser boa, não apenas por estar numa posição de destaque.

Não vou escrever aqui que o tal do Bruno é um bandido (coisa que eu acho), porque ele ainda não vou julgado e condenado, por isso ainda é apenas um suspeito.

Também não vem ao caso ressaltar os requintes de crueldade do caso, nem o número de envolvidos. Não vou comentar nem sobre a relação homossexual (pois homem que tatua declaração de amor ao amigo nas costas é o que?). E nem vou me deter aos detalhes promíscuos da vida da vítima.

Pra mim, o que realmente importa neste caso é que simplesmente por agarrar bolas um sujeito sem escrúpulos foi alçado à posição de ídolo, atraindo a atenção de jovens, oportunistas ou não.

O que pode parecer natural, pois estamos no país do futebol.

Isso não é natural. Eu não acho. Natural seria admirar o sujeito que leva uma vida correta, se dedica aos estudos e ganha prêmios por um trabalho relevante.

É esse mundo que eu quero pra minha filha.

Internet segura para as crianças

filhos julho 12th, 2010

Na minha opinião, nada é mais eficaz, em matéria de segurança das crianças, seja on ou offline, do que uma boa conversa, ou várias, e o acompanhamento constante dos pais.

Sobre a conversa, cabe aos pais definir o tom e o momento certo.

Já quanto ao acompanhamento, algumas ferramentas vêm nos ajudar, e muito, nesta tarefa.

Por causa da Sam Shiraishi fiquei conhecendo o Norton™ Online Family, programa que permite acompanhar os passos de seus filhos na internet.

Para entender melhor como isso funciona, vale visitar o post da Sam, que é representante da Norton na América Latina e está reunindo um grupo de pais para testar a funcionalidade em suas famílias.

Achou interessante e quer participar? Entra aqui e comenta sobre o seu interesse.

Eu já fiz o meu cadastro e vou começar a utilizar esta semana.

Depois volto aqui pra contar o que tô achando.

Filhos precoces?

desabafo, filhos, infantil maio 28th, 2010

Quem aí tem filhos “pequenos”?

Até quando podem ser considerados pequenos?

Quem determina este momento, nós, as mães, ou o mundo?

Eu tenho apenas uma menina, o que, posso garantir, não é pouco.

Fico me perguntando se as mães de meninos enfrentam as mesmas dificuldades. Eu tenho observado que meninos, pelo menos nessa primeira fase, quando se migra da infância para a pré adolescência, são bem mais tranquilos. Não ficam enlouquecidos com a Lady Gaga (maldita Lady Gaga), nem perdem horas na frente do espelho analisando se cada fio de cabelo está no lugar perfeito.

Parece que os meninos passam mais tempo envolvendo-se com as coisas simples da infância. Acho que são mais “desencanados”. Ou demoram mais para “encanar” com os mistérios da vida quase adulta.

Não estou aqui afirmando que a minha filha não é mais criança. Longe disso, eu espero.

Mas uma série de mudanças começam a despontar dissimuladamente no comportamento das meninas, nos forçando a aceitar uma das maiores verdades da vida: o tempo passa pra todo mundo.

Não acredito que seja possível estabelecer uma idade exata para identificar esta transição.

Ela ocorre aos poucos, no começo, e depois vem como um tsunami devorando tudo que encontra pela frente.

Cristo!

Cada criança tem sua própria hora para descobrir que a Xuxa é muito cansativa, chata mesmo.

Ao seu tempo, cada criança vai deixando de lado os minutos no parquinho para passar mais tempo no quarto, ouvindo música (maldita Lady Gaga).

As meninas, especialmente, não permitem mais que as enchamos a cabeça com lacinhos e amarrações esdrúxulas.

Em troca, começam a interessar-se por esmaltes.

Mas, será que isso é tão ruim assim?

Existem aqueles pais/mães radicalmente contra que crianças utilizem apetrechos definidos como exclusivos do mundo adulto.

Maquiagens e esmaltes são expressamente proibidos em algumas casas.

Eu acredito que, em determinado grau, devem até ser estimulados. Existe algo mais fantasioso do que o ato de se maquiar?

Para mim, ao pintar as unhas de maneira a imitar a mãe (ou a maldita Lady Gaga), ao colorir os lábios e as pálpebras, as meninas pequenas nada mais fazem do que dar asas à imaginação e brincar de faz de conta como convém a toda criança.

Óbvio que alguns cuidados devem ser considerados, como, por exemplo, garantir que isso seja apenas uma brincadeira. Nunca uma obrigação. Averiguar a qualidade dos produtos, pois estarão em contato com a pele das crianças. E estabelecer limites de tempo e espaço para estas brincadeiras.

Fora isso, pouco podemos fazer além assistir o tempo passar, orientar o melhor caminho, e torcer para que ele seja seguido.

http://www.dasmariasblog.pop.com.br

Livros da cegonha

Claudia Formentin, filhos, livros fevereiro 22nd, 2010

Com a barriga despontando em 2009 não tenha dúvida de que um dos temas mais lido foi sobre a maternidade. Tinha de tudo, pode ter certeza. Desde as etapas da gravidez até como educar os pequenos.

O primeiro foi Criando meninos (Editora Fundamento).

Ganhamos de natal do Bruno, namorado de uma das minhas irmãs. Ele foi lido na Bahia, na casa da futura vovó Ilma.

Este o futuro papai leu. O legal do meu marido ter lido também foi que ele, por ser homem, percebia o que era dito no livro na sua infância vivida anos antes.

Na época a ultrassonografia dizia que era quase certo (70% de chance) de ser menino. Eu não estava muito convencida disso mas meu marido já tinha certeza.

O livro nos confirmou aquilo que várias reportagens já haviam dito: meninos falam depois das meninas, tendem a ser mais agressivos que elas, mas nem por isso violentos.

Falou também sobre a importância da figura masculina (pai, tio, avô, professor). Foi legal ler porque deu para começar a entender como poderemos lidar com isso, especialmente para mim que fui criada basicamente entre meninas, lá em casa, com a minha mãe somos quatro. Sempre achei um monte de brincadeiras de menino absurdas, com o livro, descobri que a maioria são super normais e que para não virar bagunça o menino precisa saber quem está no comando e é necessário deixar as regras bem claras.

Mas é aquela coisa: a teoria é linda, vamos ver na prática. Acho super possíveis de aplicar todas as dicas (pelo menos em tese) e pode ter certeza que tentarei fazê-lo.

Depois que o pequeno nasceu vire e mexe falamos novamente deste livro.

Nessa linha, o último que li foi Além do nana neném (Editora Mundo Cristão).

Comprei-o meio no impulso. Como todos os outros desta linha meio ‘manuais’ é de auto-ajuda. Serve para pais desesperados e para aqueles que querem entender um pouco mais as cabecinhas que ainda não sabem falar e, claro, querem saber se estão no caminho certo.

Depois que comecei a lê-lo fiquei sabendo que tem o Nana Neném (só assim Nana Neném). Mas ai já era tarde.

Deu para entender um monte de coisa e como o livro trata exatamente da fase em que o meu pequeno está já é possível aplicar um monte de coisas e por enquanto vejo que é super possível desde que os pais tenham certeza daquilo que estão fazendo. A criança sabe quando estamos em dúvida.

Tanto no Criando Meninos quanto no Além do nana neném foi dito que ensinar uma criança não serve apenas para ‘facilitar’ a vida dos pais. Vai muito além disso. Serve para ensinar a criança a viver em sociedade, a conviver com as frustrações, com os limites e com uma série de valores que devem começar a ser ensinados no berço ou no cadeirão (literalmente!). Isso tudo ajuda a criança a ter paciência, respeito e criatividade.

Como disse o autor do Além do nana neném: criatividade se desenvolve com limite, ou seja, quando é necessário inventamos formas de melhorar tal situação e de descobrir coisas novas dentro o espaço determinado. Muita liberdade para explorar pode não ajudar a criança a criar outras alternativas.

Entre o Criando Meninos e o Além do nana neném teve o 6720 horas: gravidez sem dúvida (Carnevale Editores).

Foi a Nanci que emprestou. Nós a presenteamos com a obra enquanto ela esperava a pequena Isabela.

Esse era voltado totalmente para a gravidez. Vinha explicando passo a passo o que acontecia com o bebê e com a mãe mês a mês. Falava sobre a alimentação da gestante, atividade física, sexo, preparativos como o quarto do bebê e as malas para a maternidade.

Como muita coisa a gente já tinha passado, porque começamos a ler este livro com quatro meses de gestação, várias informações foram apenas lidas e não absorvidas.

Este foi um livro que o futuro papai também leu. Ouso dizer que com mais atenção do que a futura mamãe.

Na verdade foi um livro que depois de lido vira e mexe eu voltava a ele. Afinal, as dúvidas apareciam. Depois do livro e de vários sites especializados as perguntas iam para o médico. Nem sempre ele gostava das referências, mas respondia as dúvidas.

Assim nos preparamos para o durante e o depois.

Na verdade depois de muitos sites, livros e, claro, prática descobri que algumas coisas com relação aos preparativos são grandes exageros, principalmente no que diz respeito ao enxoval (livro nenhum leva em consideração os presentes, por exemplo, não que se diga que as visitas são obrigadas a levar presentes, mas vamos combinar que 99% levam, nem que a criança pode nascer grande demais ou que roupas RN não vão servir por muito tempo).

A mala para a maternidade é outra coisa exagerada nos livros e sites, todos eles dão uma ideia do que levar e de quando preparar, mas definitivamente não é necessário levar uma mala para a mãe e outra para o bebê (pelo menos eu não levei).

Para colocar o ponto final definitivo neste tema: todos estes livros são excelentes, afinal, quanto mais informação melhor, mas como toda a teoria ela deve ser experimentada na prática e não deve frustrar o pesquisador, digo os pais, se por um acaso não funcionarem muito bem.

* Claudia Formentin é jornalista, historiadora, mestre em Ciências da Linguagem, professora universitária, apaixonada por livros e mãe do pequeno Caetano de oito meses de idade. A partir de agora passa a postar no Penso em Tudo sempre que tiver um tempinho.

Não mexe com a minha filha!

crítica, desabafo, filhos, infantil, respeito fevereiro 18th, 2010

Então, Deus falou:

- Todos os erros das mães serão perdoados quando cometidos em defesa de seus filhos!

Falou?

Não sei. Mas deixa eu acreditar que sim, vai.

Quando a minha filha tinha um aninho eu comentei com alguém sobre um outro bebê, que, digamos, não tinhas os mesmo atributos estéticos…

Do alto da minha ignorância eu disse que aquela criança era “feinha”.

Por sorte, uma terceira pessoa estava por perto e me alertou para o fato de que nenhuma criança é “feinha”, nem nada parecido. As crianças são a maior manifestação de beleza e graça. Independente de seus traços físicos.

De todo o meu coração, obrigada, terceira pessoa.

Essa é uma verdade incontestável, que eu tive a sorte de aprender.

Crianças de 1,2,3,4 ou 5 anos não são feias, não são chatas.

Mas… lá pelos seus 9, 10 anos… tem umas que não dá pra suportar.

**********

Hoje foi o primeiro dia de aula da Ana e eu, claro, fui levá-la até a sala de aula. Carreguei a mochila, pesadíssima. Esperei que ela escolhesse o lugar que queria sentar, e fiquei alguns instantes ali do lado, estudando o ambiente.

Talvez eu não seja uma mãe normal. Mas eu me esforço bastante para parecer.

Infelizmente, algumas situações fogem ao meu controle.

Não tá entendendo? Vou explicar.

Assim que entramos na sala de aula eu percebi uma menina olhando pra Ana e cochichando com a coleguinha ao lado, de um jeito que não me agradou.

Ah! Não mexe com a minha filha.

A Ana nem percebeu, e eu cuidei para que ela continuasse sem perceber, claro.

Mas, como já não sou fã da tal guriazinha devido ao seu histórico de antipatia, fiquei olhando, enquanto ela, distraída, continuava sua conversa maquiavélica. (Tá bom, tá bom. Peguei pesado.)

A peste, ops!, a menina, de repente, virou na minha direção e, ao dar de cara comigo, escancarou um sorriso, que só filmando para vocês entenderem e perceberem que eu realmente não sou louca. Mas, sério, foi nojento. Ela arregaçou aquela boca e deu um sorriso tão falso que era absurdamente caricato.

Eu tive a nítida sensação que ela estava pensando:

- Ah! É só uma mãe. Todas as mães são idiotas, é só eu dar um sorriso e ela se derrete.

Coitada.

Errou o alvo.

Eu, sem nem perceber, juro, fiz uma cara tão feia pra guria que ela não entendeu nada. Ficou sem graça e virou pra frente.

Eu sou mesmo só uma mãe.

E não mexe com a minha filha!

Filha de Peixe… É Sagitário

Blog, filhos, infantil fevereiro 5th, 2010

Ó! Só vendo a minha cara pra fazer idéia do orgulho que eu to sentindo.

Ta bom, calma, vou contar.

Todo mundo sabe que eu tenho uma filhota de nove anos.

E, digamos que, ao contrário de mim e da minha irmã (boas piscianas), ela não é nenhum peixinho de aquário.

Eu também não sou nenhuma crente em astrologia e horóscopo, mas tenho observado que, em geral, existe uma série de características atribuída a cada signo que podem ser observadas em grande parte dos indivíduos influenciados pelos mesmos.

E eu tive a sorte de ser presenteada com uma sagitarianazinha linda.

O problema é que, como é comum a este signo, ela não tem amarras e não se amedronta diante de novas oportunidades.

O bom é, exatamente, que ela não tem amarras e não se amedronta diante de novas oportunidades.

Isso mesmo.

Como tudo na vida, isso tem um lado bom e um lado ruim.

Mas o meu orgulho é devido ao fato de que essa garotinha, com apenas nove anos, começou a blogar e, diga-se de passagem, está se saindo muito bem.

A Ana faz parte do blog Ver para Crescer, criado pelo Enzo, filho da Sam Shiraishi.

E, antes que alguém insinue alguma coisa, não, eu não escrevo os posts por ela.

Claro que, como mãe e blogueira mais experiente, eu oriento, sugiro, debato. Mas, acima de auqlquer coisa, eu respeito muito o trabalho DELA.

Parabéns filhota.

A princesa e o sapo

divertido, filhos, infantil janeiro 4th, 2010

Levei a filhota e a priminha para assistirem no domingo e, de carona, dei boas risadas.

Uma destas histórias bonitinhas, que nos fazem acreditar que os sonhos podem ser realizados. E realmente podem!

É bem divertido, e o melhor personagem, pra mim, é o Raymond, um vagalume banguela apaixonado pela Evangeline.

Acho que ainda vou ver mais algumas vezes. Vale a pena.

1º de Dezembro

filhos, mulher, respeito, saúde dezembro 1st, 2009

Tudo bem que em 1987 a Organização Mundial da Saúde e a ONU decretaram o dia 1º de dezembro como Dia Mundial de Combate à Aids. Sem querer desmerecer a causa, desde 2000 o dia 1º de dezembro tem, pra mim, um significado bem diferente.

É o Dia Mundial da Ana.

Há exatos nove anos eu vive o dia mais importante da minha vida. Como eu já contei em detalhes aqui, o parto da minha filha não foi dos mais fáceis. Tive pré-eclâmpsia, a cirurgia precisou ser feita às pressas, tão rápido que nem puderam esperar a anestesia fazer efeito. Senti a dor de cortarem minha carne, literalmente.

Eu sei que tudo isso aconteceu, mas cada vez que relembro, cada vez que narro as circunstâncias do parto, é como se tivesse contando um filme. Como se fosse uma história que eu ouvi alguém contar e me marcou por ser muito forte, muito carregada de emoção.

Mas a cada ano que passa essa história fica mais distante de mim e quando olho pra trás, só consigo recordar com nitidez do momento que ouvi o choro da Ana pela primeira vez e todas as dores sumiram.

Não posso dizer que todos os medos sumiram junto porque quem tem filhos sabe que essa experiência faz aumentar os medos, agiganta nossa insegurança. Não é para menos.

Viver num mundo onde as pessoas levantam bandeiras e batem no peito se dizendo do bem ao mesmo tempo que se tornam cada vez mais mesquinhas e insensíveis é, realmente, de dar medo.

Viver num mundo onde se proclama uma data como Dia Mundial de Combate à Aids, mas preserva-se o hábito de transar sem camisinha é, no mínimo, inseguro.

Pra mim, 1º de dezembro vai continuar sendo o Dia Mundial da Ana.

Um adolescente, 101 pokemons, uma rede social, uma idéia idiota e várias ameaças

Sem categoria, filhos novembro 26th, 2009

Já publiquei um post explicando o que me motivou a desenvolver um projeto de orientação para pais e educadores sobre o fato de que redes sociais não devem ser frequentadas por crianças.

Apesar de o foco da minha preocupação não serem os adolescentes, uma matéria publicada no Caderno de Informática do Diário Catarinense chamou minha atenção.

José Romero, um imigrante equatoriano, menor de idade, que mora em Barcelona, teve a brilhante idéia de criar um grupo no Facebook anunciando que se um milhão de usuários entrassem para o grupo ele tatuaria todos os Pakemons nas costas.

Ridículo, né?!

O problema é que em menos de um mês o grupo, intitulado “Si se meten 1000000 Yo Jose Romero me tatuo los 151 Pokemon en la espalda!”, já possui 549.513 membros e o adolescente, assustado com a repercussão da brincadeira, abandonou o Facebook e, inclusive, parou de frequentar a escola.

O caso foi parar na polícia porque a mãe de Jose Romero teme que as ameaças publicadas na página de discussões do grupo extrapolem o ambiente virtual.

Tópicos como “Escojamos Una Muerte Para Jose Romero” foram criados, estimulando afirmações do tipo: “yo lo mato con la maquinita para hacerle los tatuajes, y luego (ya muerto) se los tatuo en el orto xD”.

Agora imagina se essa idéia idiota tivesse surgido da cabeça de seu filho que, como qualquer adolescente, é um terreno fértil para pensamentos insensatos.

Você estaria com medo?

Eu, não. Estaria em pânico!

Estaria desesperada com a noção de que mais de 500.000 pessoas ansiavam por uma atitude proveniente de um devaneio adolescente e, o que é pior, parte dessas pessoas incitava a punição violenta de um adolescente por não querer cumprir uma promessa.

Quantas vezes vocês, enquanto adolescentes, já fizeram apostas idiotas com amigas/amigos sem pesar as consequencias?

O problema todo é que, entre amigos, tais consequencias realmente não precisam ser avaliadas. A gente promete, brinca, volta atrás, ameaça… tudo em tom de brincadeira.

É normal.

Acontece que a coisa foge do controle quando é transferida a um plano público. Onde qualquer um se sente responsável por cobrar sua promessa e, o que é pior, se sente no direito de impor um castigo pelo descumprimento.

“ok muerte digna que lo torturen q lo tatuen apunta de la tecnica yakuza y despues q piquen.”

“lo desmembramos y io me quedo con su cabeza uds pueden hacerle lo que quiera alo demas :) .”

Essas são ameaças que, quando feita entre amigos, provocam risadas, mas, quando proferidas por completos desconhecidos, geram terror em qualquer um que tenha o mínimo de bom senso.

Na melhor das hipóteses, Jose Romero garantirá sua integridade física, mas carregará por toda vida uma mancha em seu nome.

“no le hagamos nada cabros, ese pringao cago por el resto de su vida, su nombre paso de ser desconocido, a valer nada.”

Porque o silêncio vale ouro

crítica, desabafo, direitos, filhos, livros, mulher, respeito, saúde, vergonha setembro 14th, 2009

Lembra da Maria Mariana?

Aquela menina que escreveu “Confissões de Adolescente” e conseguiu se fazer entender por toda uma geração.
Assisti à peça lá pelos meus 15 anos. Foi uma grande experiência por que, além de ser uma peça super interessante, foi a primeira que eu vi. A primeira que tive a oportunidade de assistir aqui na “cidade universitária” onde eu moro e onde o cinema sempre opta por passar cópias dubladas, mesmo de filmes adultos.
Lembro que o livro, além de virar peça de teatro, virou também uma série de TV que eu adorava.
De lá pra cá já passou muito tempo.
Eu mudei bastante e, pelo visto, ela também.
Quem tem o hábito de tuitar sabe perfeitamente quem é o Cardoso.
Autor do blog Contraditorium (que eu confesso que não conhecia), Cardoso é uma personalidade bastante polêmica.
Pode-se dizer de tudo sobre ele. Menos que não seja inteligente.
Eu confesso que nutro um sentimento bastante ambíguo pelo moço.
Ta bom… eu tenho medo dele!
A começar pelo avatar, que estampa a carinha nada simpático do Dr. House (que é tudo de bom, mas da medinho), já vi (li) o Cardoso dar nos dedos de muita gente.
Sempre com comentários muito ácidos, ele não perdoa.
Por que eu o sigo?
Por alguns fatores consideráveis neste cenário digital, mas, principalmente, porque ele é uma grande fonte de informação.
Não cheguei a comentar, mas o post “Alguém traz o Renoir de volta, por favor” surgiu de uma tuitada dele com o link da foto da modelo real.
Agora ele acabou de me presentear (pra não dizer “me irritar”) com o link de uma entrevista da tal da Maria Mariana.
Ah! Entendeu porque que eu to falando nele?!
Então vamos ao que realmente interessa.
A infeliz da Maria Mariana consegue irritar a gregos e troianos.
Irrita às mulheres que optam por não ter filhos, fazendo uso de um direito que lhes cabe e irrita às outras, que se dedicam à maternidade.
Eu engravidei com 22 anos.
Não era uma criança, mas ainda não vivia meu momento pleno, aquele que julgava ideal para ser mãe.
Não foi uma gravidez planejada.
E, mesmo correndo o risco de me arrepender, vou confessar : sou a favor do aborto.
Então porque eu não abortei?
Não foi porque é crime. Foi pelo simples fato de que, apesar de não estar preparada social nem financeiramente, psicologicamente eu já me sentia mãe.
Senti isso desde o primeiro instante que tomei consciência de que aquela coisinha crescia dentro de mim.
E olha que foi logo no começo.
Com duas semanas e meia de gravidez, fiz dois testes de farmácia e um de laboratório e minha vida mudou pra sempre.
A partir dali, nada tinha ou teria mais importância, mais valor, mais significado, do que a ligação que eu mantinha com aquele amontoado de células que se desenvolviam surpreendentemente.
Só to confessando esses detalhes para demonstrar o quanto a maternidade tem valor pra mim.
Tanto valor a ponto de atrasar minha vida profissional em alguns anos e, mesmo assim, me fazer feliz.
Tanto valor a ponto de ser mãe solteira e ser tão feliz que acabamos merecendo (eu e minha pimpolha) o Philippe de presente. Melhor namorado e melhor pai do mundo.
O que eu sei fazer de melhor na vida é ser mãe.
Me dedico a esta tarefa.
Eu erro. Claro.
Mas avalio os meus erros e me concentro em melhorar.
Constantemente analiso minha função de mãe busco atingir os melhores objetivos sempre com o foco no futuro da minha filha.
Passei toda minha gestação ansiando por um parto normal.
Normal mesmo!
Meu sonho, na época, era ter uma vó parteira, dessas que fazem o parto em casa com uma tesoura que passa de geração para geração.
Louca?
Pode ser.
Mas eu achava que isso reforçava a importância de ser mãe.
Louca mesmo.
Também acreditava que pra ser mãe tinha que amamentar.
Sonhava em amamentar minha filha até uns dois anos de idade.
Achava lindo. Ainda acho.
Quando eu ouvia alguma mãe contando que não tinha leite ou que o bebê não pegou o peito eu pensava, quietinha, “coitada, essa aí não nasceu pra ser mãe”.
Resumindo a história, eu paguei por toda a minha ignorância.
Minha filha nasceu 20 dias antes do prazo, numa cesariana feita às pressas em decorrência de pré eclâmpsia.
Quase morri e, pra piorar, o médico não pode esperar nem 15 minutos pra anestesiar fazer efeito e eu, por vias tortas, senti as piores dores do parto. Dor de navalha cortando a carne.
Mas, como a maternidade é um verdadeiro milagre e quase sempre que nasce um filho nasce também uma mãe, seja de parto normal ou cesariana, o chorinho da pequena diluiu a minha dor e a lembrança que ficou do momento, apesar dos riscos, é de amor.
Pra melhorar a brincadeira ou, se preferirem, pra diminuir meu carma e minha arrogância pré-maternal, meu leite só durou duas semanas.
Depois disso, o stresse gerado pela relação afetiva indefinida com o doador de cromossomos (é, porque pai é muito mais do isso e o pai da minha filha é o Philippe há muito tempo), que nem cagava, nem desocupava a moita, acabou com o meu leite.
Meu deus! Esses foram os dias mais difíceis de todo o processo.
A decisão de partir para a mamadeira me causou febre e uma dor profunda na alma.
Eu usei um spray que o médico indicou pra descer o leite. Tomei muita água. Tomei cerveja preta e tudo que ensinavam. Só não tomei urina porque não tava na moda dizer que fazia bem pra tudo. De certo, se fosse hoje, tomava.
Não teve jeito.
Com o peito todo rachado. Com febre. Sem leite. E com uma neném de duas semanas chorando de fome, tive que fazer uma madeira de leite em pó.
Que espécie de mãe eu fui, então?
Uma mãe de verdade, posso garantir.
Mãe que faz tudo que está ao seu alcance, mas as vezes não consegue.
Cara Maria Mariana, que pessoa bem afortunada você seria, se não fosse ignorante.
Que bom que você pôde largar a carreira pra se dedicar a criar 4 filhos.
Sabe que este também é o meu sonho?
Infelizmente, por enquanto, ainda não posso fazer isso.
Tive que me reciclar profissionalmente e encarar o mercado de trabalho pra poder, ao lado do meu parceiro (veja bem, “ao lado” não escrevi “atrás” nem “à sombra”) dar uma vida razoável para nossa única filha.
Mas, um dia, chegamos lá.
Que bom você pôde passar pela experiência de três partos normais, já que esse era o seu sonho.
Pena que a sua primeira filha não recebeu esta bênção e, sendo assim, segundo o seu próprio raciocínio, você deve ser menos mãe dela do que dos outros três.
Que bom, também, que você pôde amamentar. Eu não tive essa sorte. Não por preocupações estéticas, mesmo porque, amamentando ou não, acabaria aderindo ao silicone mais tarde e meus peitos estariam tão bem quanto estão.
E, se me permite um conselho, acho que seria uma boa você estudar a alternativa do silicone, já que vem amamentando há 9 anos seguidos. Não é pecado, boba.
E, pra concluir, eu concordo com você quanto ao fato de que homens e mulheres não são iguais.
Não gosto dessa história.
Mas, vou lhe contar um segredo: Por trás de todo grande homem, existe uma grande mulher.
Em outros palavras, já faz tempo que somos nós que seguramos o leme.
Ah! Ia me esquecendo.
Depressão pós parto é uma enfermidade bastante complexa, que nada tem a ver com passar a gestação fazendo compras no shopping.
(Se o post estiver muito irônico, a culpa é do House)
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