Browsing Category: "respeito"

Beijinhos e decotes

desabafo, mulher, respeito agosto 19th, 2010

Sempre achei ridícula a ideia de mulheres queimando sutiãs em praça pública.

Sempre entendi a peça de roupa íntima como uma grande aliada na arte da sedução, valorizando a forma do corpo feminino e velando ou revelando, conforme convém.

Mais do que isso.

Entendo que uma bela (e confortável) lingerie  tem, inclusive, o poder de levantar a auto estima de uma mulher.

Acontece que há bem pouco tempo, apenas, consegui perceber que só considero o sutiã uma peça de roupa sensual porque algumas mulheres corajosas e obstinadas tiveram a audácia de fazer uma fogueira em praça pública com o dito cujo.

Pra quem não entendeu, é assim, até pouco tempo atrás não tínhamos o direito de fazer muitas escolhas. Não tínhamos o direito de escolher nem mesmo andar sem sutiã.

Não tínhamos o direito de escolher nossos representantes políticos, nem o direito de escolher carreiras profissionais.

Nossas escolhas se resumiam às marcas de sabão em pó ou achocolatado.

Eu, que nunca entendi muito bem o feminismo, pude perceber que toda a minha ignorância é fruto da luta de algumas mulheres que viveram situações extremas de preconceito e discriminação e, rebelando-se contra isso, me proporcionaram um mundo onde homens e mulheres são relativamente iguais.

Relativamente.

Agora cheguei onde eu queria.

No meu mundo, não percebo discriminação entre os salários de homens e mulheres.

Fora a jornada dupla de trabalho, quando chegamos cansadas e temos que, no mínimo organizar (quando não executar) toda a rotina das tarefas domésticas, somos mais ou menos iguais.

Temos bons cargos, bons salários, boas promoções e benefícios que visam equilibrar as diferenças entre os sexos.

Mas nem tudo é essa maravilha.

Ainda paira sobre a mulher uma atmosfera de desconfiança que, à menos chance, ressalta o aspecto sexual de um relacionamento.

Como assim?

Basta uma mulher ser bonita para carregar a pecha de burra. Se for loira, então, coitada.

Se uma mulher nova e bonita alcança sucesso profissional, logo surgem os comentários de que está dormindo com alguém.

Isso é cruel. Mas é fato.

Acaba que precisamos nos defender adotando comportamentos defensivos.

Eu, por exemplo, sou contra os beijinho em ambiente de trabalho.

Radicalismo? Porque?

Se dois homens se encontram, em ambiente de trabalho, naturalmente cumprimentam-se com apertos de mão.

Porque, então, quando homens e mulheres se encontram surgem os beijinhos?

O problema é que muitas mulheres não se dão conta, algumas vezes por ingenuidade, muitas vezes por malícia, que este tipo de comportamento só prejudica, ressaltando as diferenças e cobrindo-nos com o manto da inferioridade.

Pior que os beijinhos, sem dúvida, são os decotes.

Claro que eu acho meus peitos bonitos e sinto-me bem em valorizá-los.

Mas existe local e ocasião pra tudo.

Quando uma mulher expõe um pouco mais qualquer parte do corpo, esta acaba sobressaindo-se às qualidades intelectuais. Não dá pra fugir disso.

Não que eu tenha a intenção de decretar o uso de burca nas empresas.

Mas, bom senso, este sim, deveria ser obrigatório.

Pra não dizer que não falei do Bruno

crítica, desabafo, filhos, morte, respeito, vergonha julho 14th, 2010

- Filha, vem cá. Tais vendo esse caso do goleiro?

- Tô.

- E o que estais entendendo disso?

- Que a moça teve um filho com ele pra ficar ganhando a pensão e ele não quis pagar e matou a moça.

- É isso mesmo. Mas o que a mamãe quer que tu entendas, é que o mais importante dessa história é que o fato dele ser famoso, de ser um ídolo do futebol, não faz dele uma boa pessoa. A moça o escolheu para ser pai do filho dela pelos motivos errados. E pagou muito caro por isso. As vezes uma pessoa sabe chutar, ou agarrar uma bola, sabe cantar, interpretar um texto, e por isso se torna alguém admirado por todos, sem que sequer se avalie o seu caráter. O que a mamãe quer te ensinar é que a fama de uma pessoa não corresponde ao seu valor real e uma pessoa deve ser admirada por ser boa, não apenas por estar numa posição de destaque.

Não vou escrever aqui que o tal do Bruno é um bandido (coisa que eu acho), porque ele ainda não vou julgado e condenado, por isso ainda é apenas um suspeito.

Também não vem ao caso ressaltar os requintes de crueldade do caso, nem o número de envolvidos. Não vou comentar nem sobre a relação homossexual (pois homem que tatua declaração de amor ao amigo nas costas é o que?). E nem vou me deter aos detalhes promíscuos da vida da vítima.

Pra mim, o que realmente importa neste caso é que simplesmente por agarrar bolas um sujeito sem escrúpulos foi alçado à posição de ídolo, atraindo a atenção de jovens, oportunistas ou não.

O que pode parecer natural, pois estamos no país do futebol.

Isso não é natural. Eu não acho. Natural seria admirar o sujeito que leva uma vida correta, se dedica aos estudos e ganha prêmios por um trabalho relevante.

É esse mundo que eu quero pra minha filha.

Projeto Ficha Limpa X Direito dos presos ao voto

crítica, desabafo, direitos, respeito maio 3rd, 2010

To sabendo que vou mexer em um vespeiro. Afinal, o protesto vem sempre como um rolo compressor quando se vai contra a opinião da maioria.

Também não to querendo me fazer de “grande coisa” por levantar uma questão que quebra a unanimidade (aquela que é burra, lembram?) acerca de um determinado assunto.

Posso estar escrevendo uma grande m&*d@, e pra isso existem os comentários. Exatamente pra me esfregar na cara essa ignorância que nasce com todos, e acompanha alguns até o caixão.

Mas… pensem comigo:

A legislação garante ao preso o direito do voto, desde que sua condenação não seja em caráter definitivo. Para garantir o direito destes pobres e injustiçados presos existem os grupos de defesa dos direitos humanos e blablabla.

O que é a democracia senão o direito que cada um tem de escolher seus representantes e por estes ter seus interesses defendidos?

Então, não parece bastante contraditório garantir o direito ao voto a uma determinada classe (marginal também é gente), mas privá-la de qualquer possibilidade de eleger aqueles que de fato a representam?

Se o Projeto Ficha Limpa proíbe políticos condenados em primeira instância (inocentes até que o processo transite em julgado) de concorrerem a cargos eletivos, se proíbe de se candidatarem ao poder público aqueles cuja conduta tenha sido declarada incompatível com o decoro parlamentar, independentemente da aplicação da sanção de perda de mandato, que opção sobra aos detentos para representá-los?

Que máscara democrática é essa que dá e tira ao mesmo tempo?

Como os coitadinhos dos presos poderão se organizar e ter suas reivindicações atendidas se não têm ao menos a opção de votar em seus semelhantes?

E antes que os xingamentos comecem, não, eu não sou a favor de que este bando de pilantra que nos aborda a cada eleição em busca do voto (que, infelizmente, para muitos não passa do ato de apertar em um botão) continue impune, cometendo atrocidades. Mas há de se ter coerência, sempre.

Se bandido não pode se candidatar, bandido também não pode votar.

Carta ao Sr. Anderson Birman

desabafo, direitos, respeito, salto alto abril 11th, 2010

Caro Sr. Anderson Birman, a primeira coisa que gostaria de lhe dizer é que eu amo a Arezzo.

Sou o tipo de mulher que considera que um sapato não é (nunca) apenas um acessório que serve para proteger os pés.

Entendo que a escolha por um determinado par de sapatos representa muito sobre nossa personalidade, temperamento e anseios.

Não é a toa que toda a mágica da Cinderela concentra-se no sapatinho de cristal. O sapato, muitas vezes, é um amuleto.

Mas, tudo isso o Sr. sabe muito melhor do que eu.

Outra coisa que gostaria de lhe dizer é que eu sou o tipo de mulher fiel às suas escolhas. Em todos os campos.

Para a Arezzo, sou aquilo que o pessoal do marketing chama de lover.

Eu não sou (ainda) nenhuma Imelda Marcos, mas, na minha singela coleção destas peças a Arezzo possui lugar de destaque. E, o que é melhor, tanto o gosto por sapatos quanto a admiração pela Arezzo foram herdados de minha mãe.

Aqui em casa temos uma tradição de almoçar no shopping todo sábado, em geral, apenas as mulheres. Uma de nossas primeiras necessidades ao chegar ao shopping é a visita à loja da Arezzo. Infelizmente, nem sempre realizamos uma compra, mas sempre desejamos.

Foi por esse motivo que fiz questão de assistir à sua palestra durante o último Donna Fashion DC, no Shopping Beira Mar, em Florianópolis.

Não sou uma pessoa de fazer muitos elogios, e acho que já fiz bastante.

Mas, talvez o Sr. esteja se perguntando, pra que tudo isso?

Ontem comprei um sapato lindo. Um modelo Oxford, cinza, de salto. Lindo.

Saí para jantar e ao chegar em casa percebi que o sapato estava descosturando.

Isso não deveria acontecer, principalmente porque algumas pessoas (namorado) que viram, comentaram com desdém que eu realmente não deveria pagar tão caro por um sapato, já que este descostura tanto quanto qualquer outro.

Claro que eu fiquei triste. Mas me senti segura, por ter certeza que tudo seria resolvido de forma satisfatória. Afinal, eu tenho uma relação com a Arezzo há anos.

Hoje fui a loja comunicar o defeito. Tanto a vendedora quanto a caixa da loja (não havia nenhuma gerente por lá) me informaram que eu precisaria deixar o sapato na loja para que elas reportassem o defeito à fábrica. Segundo as mesmas, em até 30 dias eu receberia uma resposta que, provavelmente seria favorável à troca, uma vez que o defeito é notável.

Contudo, me preveniram que a mercadoria precisaria ser trocada por outro modelo, pois não existia mais nenhum par do mesmo na loja.

Devido a uma exigência minha, escreveram em um  papelzinho de recados que “sapato foi deixado na loja para fazer análise de defeito. 11/04/10 Prometido para o prazo de 30 dias no máximo”. Carimbado e assinado pela caixa.

Eu, que no sábado saí da loja satisfeita, carregando uma sacola com um belo par que representava perfeitamente aquilo que eu desejava, hoje vim para casa com um bilhetinho mal escrito.

Eu sei que a Lei de defesa do consumidor dispõe de um prazo de 30 dias para que a empresa sane o vício do produto, realize a troca ou restitua a quantia paga. Portanto, não se trata de uma ilegalidade.

No entanto, já me vi nessa mesma situação de troca diante de outras empresas que, gentil e inteligentemente resolveram meu problema na mesma hora. Há uns dois anos ganhei de presente do meu namorado um vestido lindo, de uma marca reconhecida nacionalmente. O vestido estava rasgado e fui até a loja, da mesma forma como ocorreu agora com a Arezzo. Naquela ocasião, a tal loja, que também se trata de uma franquia, realizou a troca na mesma hora, permitindo que eu escolhesse outro produto.

Hoje eu vim para casa frustrada. Triste.

Pensei em exigir, na loja, o cancelamento da fatura do cartão. Não fiz isso por um único motivo: geraria uma discussão que terminaria com a minha decisão por não comprar nunca mais naquela loja e, provavelmente, em nenhuma outra da Arezzo.

Eu realmente não quero isso.

Eu amo a Arezzo.

Quando cheguei em casa, meu pai perguntou como a situação havia sido resolvida e, ao saber que eu precisaria esperar por, quem sabe, até 30 dias, ameaçou ir até a loja amanhã para exigir o cancelamento da fatura do cartão de crédito.

Eu lhe pedi que não fizesse isso.

Talvez a Arezzo não tenha uma relação comigo. Talvez nem saiba que eu existo e nem se importe comigo.

Mas, eu tenho um relação com a Arezzo. Relação esta que não quero romper.

É como um namoro que começa a dar sinal de desgaste.

Um dos primeiros sinais é a falta de respeito.

Bem, como eu amo a Arezzo, peço encarecidamente: Não façam isso comigo. Eu não quero me separar de vocês.

UPDATE

Em 3 dias a loja me ligou para avisa que a troca já estava autorizada.

No dia seguinte, a própria Arezzo entrou em contato para saber como as coisas estavam indo, e eu disse que estava tudo ok. Que assim que tivesse um tempo iria à loja efetuar a troca.

Acha que ficou tudo bem?

Enganou-se.

No sábado fui buscar o novo par e, chegando lá, tive uma ótima surpresa ao ver que havia mais um do mesmo modelo.

Ótimo! Era exatamente o que eu queria.

Adivinha?!

Este também tinha defeito. O couro era diferente de um lado de um dos pés. Horrível.

Pena.

Gostei de um outro modelinho.

Mais problema. Era R$ 70 mais barato e eles se recusaram a dar um vale neste valor para que eu pudesse descontar em uma compra futura. Tinha que liquidar a compra ali, naquela hora.

Mas… putz… não existe sapato da Arezzo por R$ 70.

Por sorte, achei um outro modelo. Lindo. R$ 40 mais caro.

Ok! Eu pago a diferença.

Agora senta, porque o susto é grande.

Este também tinha um defeito. Desta vez, no zíper.

Fiquei P da vida. E a moça do caixa ainda teve a cara de pau de me dizer que todo produto pode ter defeito.

Fala sério!

Um sapato de R$ 260 não pode ter defeito. E três sapatos na mesma loja, então.

Ou é piada ou é incompetência.

Ou falta de respeito com o consumidor, mesmo.

Mas isso não foi o pior. A infeliz do caixa ainda teve a audácia de dizer que tinha sido um azar meu.

Fala sério, né.

Então, é o seguinte, na hora que eu estava saindo da loja, pronta para deixar a troca para um outro dia, vi um modelo lindo na vitrine. E, pra provar que eu sou uma mulher de sorte, por exatamente o mesmo preço que eu precisava trocar.

Analisei o par por uma meia hora (brincadeira), para me certificar de que não era defeituoso, e… voilà! Trouxe para casa.

Não sem antes avisar as vendedoras que  não voltaria a comprar na loja.

Agora, gostaria de fazer uma pergunta à Arezzo.

A loja Arezzo do Farol Shopping, em Tubarão, é uma ponta de estoque disfarçada ou a qualidade dos produtos da marca realmente caiu muito?

Espero que a resposta sirva para definir se eu apenas não compro mais na loja de Tubarão ou se nunca mais compro nenhum sapato Arezzo.

:(

O trote

crítica, direitos, respeito, vergonha março 1st, 2010

Alguém aí curte essa história de trote?

Acha legal ser humilhado, tendo que assumir as posições mais ridículas e submetendo-se ao capricho de veteranos mal educados?

Eu já comecei algumas faculdades : )

Então, naturalmente, fui submetida a vários trotes.

O primeiro de todos, quando comecei, pela primeira vez, o curso de jornalismo, foi tão traumático que me causou problemas em todos os outros.

Traumático?

Os caras só entraram na sala fazendo terrorismo, gritando, jogaram katchup e mostarda na nossa cabeça, sequestraram os cadernos e só devolveram mediante pagamento de uma taxa que não era grande coisa.

Se isso é traumático… vai ser fresca assim no inferno!

Traumáticas foram as imagens mostradas ontem pelo Fantástico.

Fígado de boi já é uma coisa nojenta. Podre. E em cima da sua cabeça, então. É pra morrer.

Tapa na cara, cuspida, ovada na cruz… gente, o que que é isso?

O mais interessante é que normalmente essas notícias de trotes que extrapolam o bom senso vêm de estudante de medicina.

Bom, espero que ensinem respeito, bons modos e dignidade na faculdade de medicina.

Putz! Pior que faculdade não existe pra ensinar esse tipo de coisa. Isso se aprende (em tese) em casa.

Então… fudeu!

Imagina que o cara que vai cuidar da sua saúde amanhã é o mesmo FDP que faz essas barbaridades hoje.

Na boa… prefiro cair na mão de uma benzedeira ou, quem sabe, eu mesma googlar e descobrir a melhor forma de tratar o meu problema.

Ta! Eu sei que é errado se automedicar, mas… tem tanta coisa errada nesse mundo.

Ah! Voltando aos trotes.

Quando comecei o curso de Turismo saí no braço com uma veterana que queria me pintar com canetinha e cismou que eu tinha que dançar na boquinha da garrafa e andar pelo centro de Floripa amarrada numa corda com um monte de infeliz que acha certo, normal, divertido, pagar mico só porque é calouro.

Não saí no braço de verdade. Foram só alguns empurrões. Mas porque ela desistiu : )

Aí resolvi voltar pra Tubarão e começar o curso de publicidade.

Mas dessa vez fui mais esperta. E os veteranos também.

Quando aquele monte de macaco se reuniu no corredor e começou a gritar anunciando que entrariam na sala para o trote, eu entrei em pânico.

Por sorte, um senhor mais velho (éramos uma gurizada) e bastante corpulento tentou me acalmar. Ele dizia:

- Calma menina. Eles só vão entrar, fazer umas brincadeirinhas e arrecadar um troco pra fazer uma festa de boas vindas.

- O que? O senhor tá doido? Eles vão jogar katchup e mostarda na nossa cabeça, riscar nosso rosto com canetinha, nos obrigar a fazer coisas ridículas na frente de todos e ainda nos extorquir.

- Ah é?! Espera aí que eu vou fazer papel de bobo depois de velho.

Foi nessa hora que o senhor se levantou, andou calmamente até a porta da sala, que até então permanecia fechada, abriu a porta, tirou a cinta, estalou a mesma na parede e gritou com uma voz bem grossa.

- Acabou a palhaçada! Quero ver quem é que vai entrar aqui. Vem, vem.

Huahuahuahuahuaha

A veteranada foi toda embora e acabou o trote.

Adorei!

Por sorte, quando comecei o curso de direito o pessoal era mais civilizado. A Universidade já proibia esse tipo de vandalismo dentro das dependências e fomos recepcionados com uma café da manhã. Como deve ser.

*******

Não pretendo começar mais nenhuma faculdade, mas já to me preocupando com o que será que a Ana vai enfrentar.

Não mexe com a minha filha!

crítica, desabafo, filhos, infantil, respeito fevereiro 18th, 2010

Então, Deus falou:

- Todos os erros das mães serão perdoados quando cometidos em defesa de seus filhos!

Falou?

Não sei. Mas deixa eu acreditar que sim, vai.

Quando a minha filha tinha um aninho eu comentei com alguém sobre um outro bebê, que, digamos, não tinhas os mesmo atributos estéticos…

Do alto da minha ignorância eu disse que aquela criança era “feinha”.

Por sorte, uma terceira pessoa estava por perto e me alertou para o fato de que nenhuma criança é “feinha”, nem nada parecido. As crianças são a maior manifestação de beleza e graça. Independente de seus traços físicos.

De todo o meu coração, obrigada, terceira pessoa.

Essa é uma verdade incontestável, que eu tive a sorte de aprender.

Crianças de 1,2,3,4 ou 5 anos não são feias, não são chatas.

Mas… lá pelos seus 9, 10 anos… tem umas que não dá pra suportar.

**********

Hoje foi o primeiro dia de aula da Ana e eu, claro, fui levá-la até a sala de aula. Carreguei a mochila, pesadíssima. Esperei que ela escolhesse o lugar que queria sentar, e fiquei alguns instantes ali do lado, estudando o ambiente.

Talvez eu não seja uma mãe normal. Mas eu me esforço bastante para parecer.

Infelizmente, algumas situações fogem ao meu controle.

Não tá entendendo? Vou explicar.

Assim que entramos na sala de aula eu percebi uma menina olhando pra Ana e cochichando com a coleguinha ao lado, de um jeito que não me agradou.

Ah! Não mexe com a minha filha.

A Ana nem percebeu, e eu cuidei para que ela continuasse sem perceber, claro.

Mas, como já não sou fã da tal guriazinha devido ao seu histórico de antipatia, fiquei olhando, enquanto ela, distraída, continuava sua conversa maquiavélica. (Tá bom, tá bom. Peguei pesado.)

A peste, ops!, a menina, de repente, virou na minha direção e, ao dar de cara comigo, escancarou um sorriso, que só filmando para vocês entenderem e perceberem que eu realmente não sou louca. Mas, sério, foi nojento. Ela arregaçou aquela boca e deu um sorriso tão falso que era absurdamente caricato.

Eu tive a nítida sensação que ela estava pensando:

- Ah! É só uma mãe. Todas as mães são idiotas, é só eu dar um sorriso e ela se derrete.

Coitada.

Errou o alvo.

Eu, sem nem perceber, juro, fiz uma cara tão feia pra guria que ela não entendeu nada. Ficou sem graça e virou pra frente.

Eu sou mesmo só uma mãe.

E não mexe com a minha filha!

Conselho para uma vida inteira

respeito fevereiro 17th, 2010

Bom senso é tudo.

Quem vai cansar primeiro?

Blog, Sem categoria, crítica, desabafo, direitos, respeito, vergonha dezembro 4th, 2009

Eu me considero uma pessoa muito bem resolvida.

: P Sério! Inclusive já ouvi várias amigas me dizerem isso. Não to me achando, não.

O que me torna alguém bem resolvido é minha capacidade de não levar desaforo pra casa e, quando levo, logo jogo no lixo. Não fico ruminando. De preferência, resolvo o problema na hora, com a própria pessoa. Mas, nem sempre isso é possível. Porque ser bem resolvido não significa ser mal educado.

Então, muitas vezes tenho que me contentar em fazer uma cara de poucos amigos (disso eu não abro mão e não distribuo sorriso pra quem não merece, nem a pau) e esperar chegar em casa para desabafar com marido, mãe, pai, irmã, tias… ou no blog.

Ah! O blog!

De quanto estresse esse espaço que eu tenho pra me expressar já ajudou a me livrar… Já cansei de lavar minha alma aqui, desabafando, xingando, escrevendo poucas e boas pra quem merece.

Eu nunca menti, caluniei, difamei… nem aqui, nem em outro lugar qualquer.

Da pra perceber, então, que o que eu faço no blog, nada mais é do que aquilo que eu faço na minha vida, no meu dia a dia. Esse é apenas um ambiente mais amplo, com maior repercussão e abrangência. Mas os meus critérios continuam sendo os mesmos. E seria muito bom se todos agissem assim.

Ta certo que tem blogueiro de tudo que é tipo e que os exageros precisam ser controlados e, se necessário, punidos. Mas dizer o que se pensa, baseado em verdade, não deveria ser crime nem aqui nem na… bom, talvez, na China, então.

Esses dias um blogueiro foi condenado a pagar indenização de R$ 16 mil por causa de um comentário feito em seu blog.

Até aí, eu já sabia. Mesmo não sendo das mais experientes, uma das primeiras coisas que eu aprendi é que você é responsável por todo conteúdo publicado em seu blog. Seja postado por você ou através de um comentário de terceiro.

E não cheguei a conhecer o post nem o comentário que geraram o processo que me referi acima. Então, nem vou comentar.

Mas, essa semana, a @claudiamello, que eu conheço pouco, mas já pude perceber que é do bem (todo mundo adoooora), foi condenada a pagar R$ 2.940 de indenização a um médico, por um post que fez em 2007, depois de uma dessas consultas em que nos sentimos um NADA.

Juro que li o post da Claudia e pensei que tinha sido escrito por mim.

Brincadeira. Nem tanto assim.

A blogueira carioca apenas relatou como foi a consulta. Explicou que o médico mal a examinou e ela permaneceu menos de 5 minutos na sala do DOUTOR, mesmo com febre e forte dor de garganta.

Claudia fez o que eu teria feito. Chegou em casa e extravasou no post. Exorcizou a humilhação, dando nome ao BOI, a fim de evitar que outras pessoas passassem pelo mesmo constrangimento.

O boi, ops, quero dizer, o médico se sentiu ofendido por sua própria maneira de trabalhar. Mas resolveu culpar a pobre da Claudia por isso.

Acho a atitude do médico razoável, ou, pelo menos, humana. Geralmente as pessoas buscam alguém que possam culpar por seus erros, o que é uma grande burrice, mas é natural.

O que é inadmissível é a justiça compactuar com o raciocínio mesquinho e retrógrado do médico.

E quando eu entitulo esse post com a frase “Quem vai cansar primeiro?” eu me refiro a nós que blogamos hoje (ou você que pode começar a blogar amanhã) e a justiça, que ainda não entendo como a coisa funciona e teima em aplicar seus princípios antiquados em um momento onde não existe mais espaço para meias palavras e atitudes veladas.

O bom dessa história é que a “blogosfera/twittosfera” já se uniu e conseguio levantar uma boa grana para ajudar a Claudia a pagar a indenização.

Força, Cláudia!

Por você, por mim e pela minha filha que, ao que tudo indica, será uma blogueira do futuro.

Quase saí do sério

desabafo, dieta, mulher, respeito dezembro 2nd, 2009

To adorando o novo emprego.

Trabalho super estimulante, enriquecedor. Colegas divertidos, inteligentes.

Show!

Chego cedo, sento na minha cadeira, ligo o computador, me preparo para colocar os fones e ouvir a reportagem… Colega da mesa de trás me chama:

- Ai, posso te fazer uma pergunta? (voz de lambisgóia) Que que eu faço pra engordar?

Como diria a @kakah, tomar no cú!

Mas me contive e respondi com o máximo de educação que consegui reunir:

- Come.

A infeliz, não contente em me fazer ferver a 100 graus, continua:

- Ai, menina, (a mesma voz de lambisgóia) não sei mais o que fazer. Estava usando 38, 36, mas o 36 ficava apertado. Agora o 36 já ta começando a ficar largo e eu to ficando desesperada.

Tenho certeza que 999% das mulheres sabem quais foram os palavrões que eu usei pra xingar a moça, mas fiz isso só em pensamento. A minha vontade era de escancarar, levantar da cadeira, colocar as mãos na cintura e dizer em alto e bom som:

- Olha aqui minha filha, se você é uma aberração que precisa de conselhos e ajuda pra engordar, problema seu. E depois, essa história de que o 36 ta ficando largo, dá bem pra ver que é mentira. Enfia um 38 aí que eu aposto que serve.

Agora volta a fita, porque eu não respondi nada disso. Fiquei com vontade, mas não fiz. Peguei meus fones, coloquei no ouvido, respirei fundo e fingi que estava sozinha na sala. Sozinha no mundo.

Pelamor! Sendo muito, mas muito boazinha e imaginando que a dita cuja não teve malícia quando me veio com essa, no mínimo ela também não teve nem um pingo de bom senso.

NUNCA se pergunta pra uma gorda o que ela fez pra engordar!

1º de Dezembro

filhos, mulher, respeito, saúde dezembro 1st, 2009

Tudo bem que em 1987 a Organização Mundial da Saúde e a ONU decretaram o dia 1º de dezembro como Dia Mundial de Combate à Aids. Sem querer desmerecer a causa, desde 2000 o dia 1º de dezembro tem, pra mim, um significado bem diferente.

É o Dia Mundial da Ana.

Há exatos nove anos eu vive o dia mais importante da minha vida. Como eu já contei em detalhes aqui, o parto da minha filha não foi dos mais fáceis. Tive pré-eclâmpsia, a cirurgia precisou ser feita às pressas, tão rápido que nem puderam esperar a anestesia fazer efeito. Senti a dor de cortarem minha carne, literalmente.

Eu sei que tudo isso aconteceu, mas cada vez que relembro, cada vez que narro as circunstâncias do parto, é como se tivesse contando um filme. Como se fosse uma história que eu ouvi alguém contar e me marcou por ser muito forte, muito carregada de emoção.

Mas a cada ano que passa essa história fica mais distante de mim e quando olho pra trás, só consigo recordar com nitidez do momento que ouvi o choro da Ana pela primeira vez e todas as dores sumiram.

Não posso dizer que todos os medos sumiram junto porque quem tem filhos sabe que essa experiência faz aumentar os medos, agiganta nossa insegurança. Não é para menos.

Viver num mundo onde as pessoas levantam bandeiras e batem no peito se dizendo do bem ao mesmo tempo que se tornam cada vez mais mesquinhas e insensíveis é, realmente, de dar medo.

Viver num mundo onde se proclama uma data como Dia Mundial de Combate à Aids, mas preserva-se o hábito de transar sem camisinha é, no mínimo, inseguro.

Pra mim, 1º de dezembro vai continuar sendo o Dia Mundial da Ana.

blank