Pra não dizer que não falei do Bruno
crítica, desabafo, filhos, morte, respeito, vergonha julho 14th, 2010
- Filha, vem cá. Tais vendo esse caso do goleiro?
- Tô.
- E o que estais entendendo disso?
- Que a moça teve um filho com ele pra ficar ganhando a pensão e ele não quis pagar e matou a moça.
- É isso mesmo. Mas o que a mamãe quer que tu entendas, é que o mais importante dessa história é que o fato dele ser famoso, de ser um ídolo do futebol, não faz dele uma boa pessoa. A moça o escolheu para ser pai do filho dela pelos motivos errados. E pagou muito caro por isso. As vezes uma pessoa sabe chutar, ou agarrar uma bola, sabe cantar, interpretar um texto, e por isso se torna alguém admirado por todos, sem que sequer se avalie o seu caráter. O que a mamãe quer te ensinar é que a fama de uma pessoa não corresponde ao seu valor real e uma pessoa deve ser admirada por ser boa, não apenas por estar numa posição de destaque.
Não vou escrever aqui que o tal do Bruno é um bandido (coisa que eu acho), porque ele ainda não vou julgado e condenado, por isso ainda é apenas um suspeito.
Também não vem ao caso ressaltar os requintes de crueldade do caso, nem o número de envolvidos. Não vou comentar nem sobre a relação homossexual (pois homem que tatua declaração de amor ao amigo nas costas é o que?). E nem vou me deter aos detalhes promíscuos da vida da vítima.
Pra mim, o que realmente importa neste caso é que simplesmente por agarrar bolas um sujeito sem escrúpulos foi alçado à posição de ídolo, atraindo a atenção de jovens, oportunistas ou não.
O que pode parecer natural, pois estamos no país do futebol.
Isso não é natural. Eu não acho. Natural seria admirar o sujeito que leva uma vida correta, se dedica aos estudos e ganha prêmios por um trabalho relevante.
É esse mundo que eu quero pra minha filha.
Maldito Orkut
Sem categoria, desabafo, vergonha março 3rd, 2010
O problema é quando a gente começa a nomear nossos momentos como se fossem comunidades do Orkut.
Por exemplo:
“Eu tenho medo da Rafaela de Viver a Vida.”
Ou ainda…
“Eu sempre choro na eliminação do BBB.”
É triste, é brega… mas é verdade.
: P
Alguém aí curte essa história de trote?
Acha legal ser humilhado, tendo que assumir as posições mais ridículas e submetendo-se ao capricho de veteranos mal educados?
Eu já comecei algumas faculdades : )
Então, naturalmente, fui submetida a vários trotes.
O primeiro de todos, quando comecei, pela primeira vez, o curso de jornalismo, foi tão traumático que me causou problemas em todos os outros.
Traumático?
Os caras só entraram na sala fazendo terrorismo, gritando, jogaram katchup e mostarda na nossa cabeça, sequestraram os cadernos e só devolveram mediante pagamento de uma taxa que não era grande coisa.
Se isso é traumático… vai ser fresca assim no inferno!
Traumáticas foram as imagens mostradas ontem pelo Fantástico.
Fígado de boi já é uma coisa nojenta. Podre. E em cima da sua cabeça, então. É pra morrer.
Tapa na cara, cuspida, ovada na cruz… gente, o que que é isso?
O mais interessante é que normalmente essas notícias de trotes que extrapolam o bom senso vêm de estudante de medicina.
Bom, espero que ensinem respeito, bons modos e dignidade na faculdade de medicina.
Putz! Pior que faculdade não existe pra ensinar esse tipo de coisa. Isso se aprende (em tese) em casa.
Então… fudeu!
Imagina que o cara que vai cuidar da sua saúde amanhã é o mesmo FDP que faz essas barbaridades hoje.
Na boa… prefiro cair na mão de uma benzedeira ou, quem sabe, eu mesma googlar e descobrir a melhor forma de tratar o meu problema.
Ta! Eu sei que é errado se automedicar, mas… tem tanta coisa errada nesse mundo.
Ah! Voltando aos trotes.
Quando comecei o curso de Turismo saí no braço com uma veterana que queria me pintar com canetinha e cismou que eu tinha que dançar na boquinha da garrafa e andar pelo centro de Floripa amarrada numa corda com um monte de infeliz que acha certo, normal, divertido, pagar mico só porque é calouro.
Não saí no braço de verdade. Foram só alguns empurrões. Mas porque ela desistiu : )
Aí resolvi voltar pra Tubarão e começar o curso de publicidade.
Mas dessa vez fui mais esperta. E os veteranos também.
Quando aquele monte de macaco se reuniu no corredor e começou a gritar anunciando que entrariam na sala para o trote, eu entrei em pânico.
Por sorte, um senhor mais velho (éramos uma gurizada) e bastante corpulento tentou me acalmar. Ele dizia:
- Calma menina. Eles só vão entrar, fazer umas brincadeirinhas e arrecadar um troco pra fazer uma festa de boas vindas.
- O que? O senhor tá doido? Eles vão jogar katchup e mostarda na nossa cabeça, riscar nosso rosto com canetinha, nos obrigar a fazer coisas ridículas na frente de todos e ainda nos extorquir.
- Ah é?! Espera aí que eu vou fazer papel de bobo depois de velho.
Foi nessa hora que o senhor se levantou, andou calmamente até a porta da sala, que até então permanecia fechada, abriu a porta, tirou a cinta, estalou a mesma na parede e gritou com uma voz bem grossa.
- Acabou a palhaçada! Quero ver quem é que vai entrar aqui. Vem, vem.
Huahuahuahuahuaha
A veteranada foi toda embora e acabou o trote.
Adorei!
Por sorte, quando comecei o curso de direito o pessoal era mais civilizado. A Universidade já proibia esse tipo de vandalismo dentro das dependências e fomos recepcionados com uma café da manhã. Como deve ser.
*******
Não pretendo começar mais nenhuma faculdade, mas já to me preocupando com o que será que a Ana vai enfrentar.
Quem vai cansar primeiro?
Blog, Sem categoria, crítica, desabafo, direitos, respeito, vergonha dezembro 4th, 2009
Eu me considero uma pessoa muito bem resolvida.
: P Sério! Inclusive já ouvi várias amigas me dizerem isso. Não to me achando, não.
O que me torna alguém bem resolvido é minha capacidade de não levar desaforo pra casa e, quando levo, logo jogo no lixo. Não fico ruminando. De preferência, resolvo o problema na hora, com a própria pessoa. Mas, nem sempre isso é possível. Porque ser bem resolvido não significa ser mal educado.
Então, muitas vezes tenho que me contentar em fazer uma cara de poucos amigos (disso eu não abro mão e não distribuo sorriso pra quem não merece, nem a pau) e esperar chegar em casa para desabafar com marido, mãe, pai, irmã, tias… ou no blog.
Ah! O blog!
De quanto estresse esse espaço que eu tenho pra me expressar já ajudou a me livrar… Já cansei de lavar minha alma aqui, desabafando, xingando, escrevendo poucas e boas pra quem merece.
Eu nunca menti, caluniei, difamei… nem aqui, nem em outro lugar qualquer.
Da pra perceber, então, que o que eu faço no blog, nada mais é do que aquilo que eu faço na minha vida, no meu dia a dia. Esse é apenas um ambiente mais amplo, com maior repercussão e abrangência. Mas os meus critérios continuam sendo os mesmos. E seria muito bom se todos agissem assim.
Ta certo que tem blogueiro de tudo que é tipo e que os exageros precisam ser controlados e, se necessário, punidos. Mas dizer o que se pensa, baseado em verdade, não deveria ser crime nem aqui nem na… bom, talvez, na China, então.
Esses dias um blogueiro foi condenado a pagar indenização de R$ 16 mil por causa de um comentário feito em seu blog.
Até aí, eu já sabia. Mesmo não sendo das mais experientes, uma das primeiras coisas que eu aprendi é que você é responsável por todo conteúdo publicado em seu blog. Seja postado por você ou através de um comentário de terceiro.
E não cheguei a conhecer o post nem o comentário que geraram o processo que me referi acima. Então, nem vou comentar.
Mas, essa semana, a @claudiamello, que eu conheço pouco, mas já pude perceber que é do bem (todo mundo adoooora), foi condenada a pagar R$ 2.940 de indenização a um médico, por um post que fez em 2007, depois de uma dessas consultas em que nos sentimos um NADA.
Juro que li o post da Claudia e pensei que tinha sido escrito por mim.
Brincadeira. Nem tanto assim.
A blogueira carioca apenas relatou como foi a consulta. Explicou que o médico mal a examinou e ela permaneceu menos de 5 minutos na sala do DOUTOR, mesmo com febre e forte dor de garganta.
Claudia fez o que eu teria feito. Chegou em casa e extravasou no post. Exorcizou a humilhação, dando nome ao BOI, a fim de evitar que outras pessoas passassem pelo mesmo constrangimento.
O boi, ops, quero dizer, o médico se sentiu ofendido por sua própria maneira de trabalhar. Mas resolveu culpar a pobre da Claudia por isso.
Acho a atitude do médico razoável, ou, pelo menos, humana. Geralmente as pessoas buscam alguém que possam culpar por seus erros, o que é uma grande burrice, mas é natural.
O que é inadmissível é a justiça compactuar com o raciocínio mesquinho e retrógrado do médico.
E quando eu entitulo esse post com a frase “Quem vai cansar primeiro?” eu me refiro a nós que blogamos hoje (ou você que pode começar a blogar amanhã) e a justiça, que ainda não entendo como a coisa funciona e teima em aplicar seus princípios antiquados em um momento onde não existe mais espaço para meias palavras e atitudes veladas.
O bom dessa história é que a “blogosfera/twittosfera” já se uniu e conseguio levantar uma boa grana para ajudar a Claudia a pagar a indenização.
Força, Cláudia!
Por você, por mim e pela minha filha que, ao que tudo indica, será uma blogueira do futuro.
Porque o silêncio vale ouro
crítica, desabafo, direitos, filhos, livros, mulher, respeito, saúde, vergonha setembro 14th, 2009
Lembra da Maria Mariana?
Alguém traz o Renoir de volta, por favor
beleza, crítica, desabafo, dieta, divertido, estilo, moda, mulher, respeito, saúde, vergonha agosto 27th, 2009
Não sei vocês, mas eu quero ser feliz.
O famoso pintor francês que viveu entre o final do século XIX e início do século XX, retratava suas divas em plenitude da forma.
Entrevista com a psicóloga Rozângela Alves Justino nas páginas amarelas da Veja desta semana.
Acorda, tio!
Blog, comunicação digital, crítica, desabafo, vergonha junho 22nd, 2009
O jornalista Gay Talese é um dos mais célebres representantes do new journalism, modalidade que utiliza técnicas de literatura no relato jornalístico.
Este ano, o afamado senhor é presença confirmada na FLIP - Festa Literária Internacional de Paraty. Evento que ocorre de 01 a 05 de julho na cidade carioca e é responsável por um nó que vem apertando em meu peito com maior intensidade à medida que a data se aproxima e a minha impossibilidade de participar vem se confirmando.
Mas não quero falar de FLIP. Ano que vem eu vou. Juro.
O caso é que o experiente tiozinho aí de cima concedeu entrevista à Veja na semana passada e, em geral, deu uma aula de jornalismo.
Mas não distribuiu diploma, lamento.
Acertou ao comentar os danos originados pela aproximação da imprensa com o poder e ao criticar a excessiva preocupação com o “politicamente correto”.
O problema ocorreu quando o mestre resolveu falar sobre internet.
Falou, falou… e só provou que não entende nada sobre o assunto.
Ao afirmar que a internet gera um lamentável “conhecimento linear”, pois as pesquisas no Google focam em um único assunto privando o indivíduo de uma visão ampla de mundo, Talese demonstra inabilidade digital.
Qualquer um mais familiarizado com a web evitaria o equívoco de resumi-la ao Google, ainda que a empresa responsável pelo serviço de busca seja um gigante na área digital, resumir a experiência on line a ela é prova de pouca familiarização com o meio.
Quem busca informação na internet tem por hábito fazer a “varredura” diária dos jornais mais tradicionais que, para garantir posição de destaque no setor de comunicação, já se preocuparam em oferecer na rede a mesma credibilidade pela qual são reconhecidos no papel.
Além disso, o equivocado jornalista resumi os blogs a canais de fofoca.
Infelizmente, este senhor de conhecimento reconhecido e idade avançada deve ter dado uma olhada em alguns blogs há alguns anos.
Com velocidade assustadora a tecnologia vem se transformando e imprimindo o mesmo ritmo frenético à comunicação digital.
Realmente. Quando surgiram, os blogs se resumiam a diários pessoais e páginas de fofocas.
No entanto, o meio vem se profissionalizando e, o que era apenas entretenimento, hoje se obriga a seguir rigorosos critérios éticos.
Jornalistas consagrados e personalidades de diversas áreas tem utilizado os blogs para publicar informação e/ou expressar opinião.
Por ser de fácil utilização, permitindo que qualquer um que não seja um analfabeto tecnológico faça uso de seus recursos e, ao mesmo tempo, oferecer possibilidade ilimitada de divulgação, além de se consagrar como canal de comunicação direta com o público/leitor, a criação de blogs vem atraindo tanto os grandes veículos quanto o cidadão comum.
Esta prática, inclusive, favorece a disseminação daquilo que o próprio senhor Gay Talese defende como o caminho ideal a ser trilhado pelo jornalismo. Ou seja, tira o foco de geração de informação do poder político/econômico e o transfere para os diversos setores da sociedade. Deixa de receber informação manipulada pelos canais oficiais e passa a gerar informação de acordo com a percepção da “vida real”.
Por isso, é lamentável que o citado jornalista se contradiga devido ao descuido (ou prepotência) de falar sobre o que não conhece.
Em defesa do Bispo
direitos, religião, respeito, vergonha março 16th, 2009
Em primeiro lugar, sou absolutamente a favor do aborto. (mas isto não está em discussão agora)
Em segundo lugar, não tenho religião definida. (mas isto também não está em discussão agora)
O caso é que o tal do bispo que excomungou os envolvidos lá no caso da menina de 9 anos, que abortou os gêmeos, ta sendo mais criticado que o padrasto, que cometeu o estupro. E isso é um grande absurdo.
Gente, o caso é simples.
A Igreja Católica é absolutamente contra o aborto. Em qualquer caso.
Um dos mandamentos da Igreja é não matar e, segundo o entendimento da mesma, a vida inicia a partir da concepção. Portanto, o aborto é um assassinato.
O fato da menina correr risco de vida não muda em nada este quadro. Não se pode salvar uma vida em detrimento de outra.
De acordo com as leis católicas, quem pratica o aborto está automaticamente excomungado.
Ponto.
Se você não concorda com a posição dos bispo excomunguento, lamento, mas você não é católico.
Simples assim.
Quem se propõe a seguir determinada doutrina ou religião deve submeter-se às crenças e tradições da mesma.
Claro que você não é obrigado a concordar com tudo que o Vaticano prega.
O único problema é que deve, então, procurar outra religião.
Ir à missa aos domingos não faz de você um católico. Talvez você concorde com os ensinamentos atribuídos a Cristo, que realmente são dignos de tantos seguidores, mas entenda, além destes ensinamentos tão nobres existe uma série de dogmas que fundamentam as religiões. A proibição do oborto é um deles para a Igreja Católica.
O que nos leva a concluir que o bispo está corretíssimo. Apenas cumpriu a sua tarefa de bispo.
Não foi por falta de consideração que passei os últimos dias sem postar. Também não foi por falta de assunto.
Na verdade, tô um pouco perdida. Muitas possibilidades, as vezes, nos deixam sem saber que caminho seguir.
Conversa fiada. Esquece.
Não tem desculpa mesmo. Pura falta de vergonha na cara.
Pior é que não foi só o Penso em tudo que deixei na mão.
Já contei que fui convidada pelo portal italiano Blogo.it pra escrever no blog Das Marias?
Fiquei felicíssissima!
Aí travei!
Não consigo. Simplesmente não to conseguindo.
Não sei o que que é. Se é medo, preguiça, burrice ou macumba.
Mas calma lá que já dou um jeito nisso.
Além disso, to desempregada ainda, que legal!
Calma que piora.
Continuo a mesma consumista compulsiva de sempre, com o agravante que aí vem o inverno e, com ele, os gastos são muito maiores.
Tenho um mega projeto em mente. Delírios de uma pisciana. Mas, o que é o mundo se não um grande hospício?





