Carta ao Sr. Anderson Birman
desabafo, direitos, respeito, salto alto abril 11th, 2010
Caro Sr. Anderson Birman, a primeira coisa que gostaria de lhe dizer é que eu amo a Arezzo.
Sou o tipo de mulher que considera que um sapato não é (nunca) apenas um acessório que serve para proteger os pés.
Entendo que a escolha por um determinado par de sapatos representa muito sobre nossa personalidade, temperamento e anseios.
Não é a toa que toda a mágica da Cinderela concentra-se no sapatinho de cristal. O sapato, muitas vezes, é um amuleto.
Mas, tudo isso o Sr. sabe muito melhor do que eu.
Outra coisa que gostaria de lhe dizer é que eu sou o tipo de mulher fiel às suas escolhas. Em todos os campos.
Para a Arezzo, sou aquilo que o pessoal do marketing chama de lover.
Eu não sou (ainda) nenhuma Imelda Marcos, mas, na minha singela coleção destas peças a Arezzo possui lugar de destaque. E, o que é melhor, tanto o gosto por sapatos quanto a admiração pela Arezzo foram herdados de minha mãe.
Aqui em casa temos uma tradição de almoçar no shopping todo sábado, em geral, apenas as mulheres. Uma de nossas primeiras necessidades ao chegar ao shopping é a visita à loja da Arezzo. Infelizmente, nem sempre realizamos uma compra, mas sempre desejamos.
Foi por esse motivo que fiz questão de assistir à sua palestra durante o último Donna Fashion DC, no Shopping Beira Mar, em Florianópolis.
Não sou uma pessoa de fazer muitos elogios, e acho que já fiz bastante.
Mas, talvez o Sr. esteja se perguntando, pra que tudo isso?
Ontem comprei um sapato lindo. Um modelo Oxford, cinza, de salto. Lindo.
Saí para jantar e ao chegar em casa percebi que o sapato estava descosturando.
Isso não deveria acontecer, principalmente porque algumas pessoas (namorado) que viram, comentaram com desdém que eu realmente não deveria pagar tão caro por um sapato, já que este descostura tanto quanto qualquer outro.
Claro que eu fiquei triste. Mas me senti segura, por ter certeza que tudo seria resolvido de forma satisfatória. Afinal, eu tenho uma relação com a Arezzo há anos.
Hoje fui a loja comunicar o defeito. Tanto a vendedora quanto a caixa da loja (não havia nenhuma gerente por lá) me informaram que eu precisaria deixar o sapato na loja para que elas reportassem o defeito à fábrica. Segundo as mesmas, em até 30 dias eu receberia uma resposta que, provavelmente seria favorável à troca, uma vez que o defeito é notável.
Contudo, me preveniram que a mercadoria precisaria ser trocada por outro modelo, pois não existia mais nenhum par do mesmo na loja.
Devido a uma exigência minha, escreveram em um papelzinho de recados que “sapato foi deixado na loja para fazer análise de defeito. 11/04/10 Prometido para o prazo de 30 dias no máximo”. Carimbado e assinado pela caixa.
Eu, que no sábado saí da loja satisfeita, carregando uma sacola com um belo par que representava perfeitamente aquilo que eu desejava, hoje vim para casa com um bilhetinho mal escrito.
Eu sei que a Lei de defesa do consumidor dispõe de um prazo de 30 dias para que a empresa sane o vício do produto, realize a troca ou restitua a quantia paga. Portanto, não se trata de uma ilegalidade.
No entanto, já me vi nessa mesma situação de troca diante de outras empresas que, gentil e inteligentemente resolveram meu problema na mesma hora. Há uns dois anos ganhei de presente do meu namorado um vestido lindo, de uma marca reconhecida nacionalmente. O vestido estava rasgado e fui até a loja, da mesma forma como ocorreu agora com a Arezzo. Naquela ocasião, a tal loja, que também se trata de uma franquia, realizou a troca na mesma hora, permitindo que eu escolhesse outro produto.
Hoje eu vim para casa frustrada. Triste.
Pensei em exigir, na loja, o cancelamento da fatura do cartão. Não fiz isso por um único motivo: geraria uma discussão que terminaria com a minha decisão por não comprar nunca mais naquela loja e, provavelmente, em nenhuma outra da Arezzo.
Eu realmente não quero isso.
Eu amo a Arezzo.
Quando cheguei em casa, meu pai perguntou como a situação havia sido resolvida e, ao saber que eu precisaria esperar por, quem sabe, até 30 dias, ameaçou ir até a loja amanhã para exigir o cancelamento da fatura do cartão de crédito.
Eu lhe pedi que não fizesse isso.
Talvez a Arezzo não tenha uma relação comigo. Talvez nem saiba que eu existo e nem se importe comigo.
Mas, eu tenho um relação com a Arezzo. Relação esta que não quero romper.
É como um namoro que começa a dar sinal de desgaste.
Um dos primeiros sinais é a falta de respeito.
Bem, como eu amo a Arezzo, peço encarecidamente: Não façam isso comigo. Eu não quero me separar de vocês.
UPDATE
Em 3 dias a loja me ligou para avisa que a troca já estava autorizada.
No dia seguinte, a própria Arezzo entrou em contato para saber como as coisas estavam indo, e eu disse que estava tudo ok. Que assim que tivesse um tempo iria à loja efetuar a troca.
Acha que ficou tudo bem?
Enganou-se.
No sábado fui buscar o novo par e, chegando lá, tive uma ótima surpresa ao ver que havia mais um do mesmo modelo.
Ótimo! Era exatamente o que eu queria.
Adivinha?!
Este também tinha defeito. O couro era diferente de um lado de um dos pés. Horrível.
Pena.
Gostei de um outro modelinho.
Mais problema. Era R$ 70 mais barato e eles se recusaram a dar um vale neste valor para que eu pudesse descontar em uma compra futura. Tinha que liquidar a compra ali, naquela hora.
Mas… putz… não existe sapato da Arezzo por R$ 70.
Por sorte, achei um outro modelo. Lindo. R$ 40 mais caro.
Ok! Eu pago a diferença.
Agora senta, porque o susto é grande.
Este também tinha um defeito. Desta vez, no zíper.
Fiquei P da vida. E a moça do caixa ainda teve a cara de pau de me dizer que todo produto pode ter defeito.
Fala sério!
Um sapato de R$ 260 não pode ter defeito. E três sapatos na mesma loja, então.
Ou é piada ou é incompetência.
Ou falta de respeito com o consumidor, mesmo.
Mas isso não foi o pior. A infeliz do caixa ainda teve a audácia de dizer que tinha sido um azar meu.
Fala sério, né.
Então, é o seguinte, na hora que eu estava saindo da loja, pronta para deixar a troca para um outro dia, vi um modelo lindo na vitrine. E, pra provar que eu sou uma mulher de sorte, por exatamente o mesmo preço que eu precisava trocar.
Analisei o par por uma meia hora (brincadeira), para me certificar de que não era defeituoso, e… voilà! Trouxe para casa.
Não sem antes avisar as vendedoras que não voltaria a comprar na loja.
Agora, gostaria de fazer uma pergunta à Arezzo.
A loja Arezzo do Farol Shopping, em Tubarão, é uma ponta de estoque disfarçada ou a qualidade dos produtos da marca realmente caiu muito?
Espero que a resposta sirva para definir se eu apenas não compro mais na loja de Tubarão ou se nunca mais compro nenhum sapato Arezzo.
