Que a Campus Party 2010 é o maior evento de tecnologia do mundo, todos já estão cansados de saber.
Milhares de pessoas reunidas com objetivos variados, envolvendo as mais diversas áreas, mas com um elo forte de união: a tecnologia.
Falando assim, pode até parecer uma festa, mas confesso que não compartilho com Marcelo Branco, organizador da feira no Brasil, quanto à propagação dessa imagem.
Claro que, aqui dentro, os mundos se dividem e cada um acaba interagindo com a tribo a qual pertence.
Eu, como jornalista e blogueira, posso garantir que a turma das mídias sociais que participa do Campus Blog está aqui para trabalhar, e muito.
E foi isso que mostrou a mesa de debates sobre “Mídias Sociais nas Corporações”, que contou com as presenças de Beto Aloureiro, da Tecnisa, Danilo Ferreira, policial militar da Bahia, Jair Tavares, da Pólvora, Wagner Fontoura, editor do Boombust, Antonio Mafra, da Porto Seguro, e foi mediada pelo professor Eric Messa.
A mensagem principal foi que somente empresas interessadas em conversar com o cliente devem entrar nas redes sociais, e que qualquer empresa com esse perfil pode fazer parte da rede. Pois, segundo Beto, “se uma empresa de construção civil consegue, qualquer outra pode”.
O importante é entender que estamos diante de um fenômeno social, por isso, é desperdício de tempo se preocupar em ficar rotulando as ações.
Atualmente a abundância de ferramentas sociais permite a produção de material ilimitado, frente ao qual nenhuma empresa do mundo, com foco em uma única área, consegue competir.
Para Jair Tavares, “o que acaba realizando a comunicação de fato, para onde convergem todas as mídias, é a interação nas mídias sociais”.
É de aceitação geral (entre os palestrantes) que todos os níveis da empresa devem se envolver quando esta opta por participar de redes sociais. A empresa precisa definir internamente como seus funcionários devem se comportar nas mídias sociais, enquanto representantes da marca. Este não é um tema que deve ser trabalhado apenas pelas agências de publicidade, as empresas precisam entender as mídias sociais como um todo e se posicionar.
“Quando uma agência de publicidade atua nas mídias sociais no lugar do cliente, isso deve ser feito de forma transparente e com a participação direta de representantes deste. A mensagem deve sempre representar o posicionamento do mesmo, não agindo como uma propaganda”, explica Wagner.
Para Mafra, “as empresas estão se personificando. Não são mais representadas apenas pelo patrimônio que possuem, e nesse cenário as mídias sociais tem um papel importantíssimo”.
Se para alguém, isso parece uma festa, talvez ainda não tenha ficado bem claro que a decisão por entrar nas mídias sociais inicia um trabalho muito grande de comunicação interna na empresa. É preciso fazer uma avaliação do nível atual de comunicação corporativa e definir o ponto eficaz que se precisa atingir.
É precisa nivelar o conhecimento interno.
E isso, apesar de ser bastante interessante, é trabalho sério, que se alcança com esforço e envolvimento. Não é diversão.